Supply Chain Sustentável: Mito ou Verdade?

Primeiramente, gostaria de pontuar o papel das indústrias como vilãs da era moderna no que diz respeito ao uso dos recursos naturais do planeta. Nesse contexto, vamos abordar como países, organizações e sociedade têm se colocado em relação ao tema meio-ambiente. E então, avaliaremos juntos o que significa ter um Supply Chain sustentável nesse cenário?

Nos últimos textos aqui do blog, abordamos temas como a evolução industrial e como isso afetou a forma como vivemos, nos relacionamos e consumimos. Também falamos sobre a responsabilidade que as indústrias têm em relação à logística reversa.

A princípio, na abordagem de hoje, queremos unir todos esses pontos, levando empresários, gestores e consumidores a refletirem sobre o nosso futuro e o papel de cada um na construção de um possível mundo melhor.

Por que Chegamos a esse Ponto?

De antemão, eu particularmente sinto que a evolução industrial e tecnológica foi tão rápida em relação ao tempo que nós, homo sapiens, vivemos nesse planeta, que nossa capacidade de reagir, aos estragos que nós mesmos causamos, terminou ficando deslocado no tempo.

Depois, não temos como negar que são tantos os interesses e divergências de opiniões, culturas e pontos de vista, que uma ação coesa e global, com tantos interlocutores, termina sendo complexa, difusa e lenta.

Sem contar que essa mudança não depende de um só setor, mas da comunicação, integração e colaboração dos setores tanto público e quanto privado.

Seja como for, é bastante polêmico eu diria o tema do impacto das indústrias direto ou indireto, no meio-ambiente. Mas é fato que o grande consumo dos recursos naturais, seja hídrico ou outras fonte para geração de energia, vem da atividade industrial e da agricultura.

Produtos que Não são Feitos para Durar

Somado a isso, os produtos estão cada vez mais descartáveis. Depois, o uso de embalagens que não são biodegradáveis, permanecendo por muitas gerações no meio-ambiente. E, por último, a facilitação do consumo, com porções menores, com ainda mais embalagens.

Nesse sentido, no que diz respeito às embalagens, o plástico é um dos grandes problemas que temos hoje. Só para termos uma referência: uma fralda de bebê leva 600 anos para se decompor; uma garrafa pet leva 450 anos.

Assim sendo, como ter um Supply Chain sustentável com um produto que vai ficar muitas gerações até desaparecer? Veremos mais adianta o que pode ser feito.

Por outro lado, em se tratando do consumo de água do planeta, a agricultura consome 70%, a indústria 20% e as pessoas, em suas casas, 10% do total de água utilizado.

Existe também a geração dos gases de efeito estufa (GEE), gerando aquecimento do planeta, derretendo as geleiras, aumentando os níveis dos oceanos e provocando uma mudança climática gigante.

Ou seja, é inegável o impacto que a revolução industrial e avanço da tecnologia promoveu no meio-ambiente. Mas isso não quer dizer que esse é o fim da linha e que não podemos fazer nada.

Muito pelo contrário, esse tópico tem sido muito discutido porque nós podemos e devemos mudar a forma de pensar quanto à nossa forma de conceber um produto, planejar, produzir, utilizar recurso, entregar, reutilizar e reciclar.

E como nós, gestores e empresários podemos atuar, de forma a mudar esse cenário dramático?

Qual o Papel de Cada um na Sustentabilidade?

É claro que todos podemos fazer algo. Até mesmo antes de pensarmos no Supply Chain sustentável, temos que entender todos os interlocutores e seus papéis.

Os governos com leis cada vez mais restritivas, punitivas e claro, assegurando que as leis sejam cumpridas. O problema é que nem sempre o poder público consegue implantar as definições que são votadas no congresso. Ou não conseguem fazer políticas locais que permitam o seu acompanhamento.

Na outra ponta, os consumidores, consumindo de forma mais consciente, se perguntando se realmente precisam de tantos itens, ou precisam trocar tão rápido de modelo. Me incluindo também nesse grupo, podemos, certamente, repensar nossos hábitos de consumo, diariamente, e até fazer melhores escolhas ao optar pelas empresas que se preocupam com o meio-ambiente. Segundo pesquisa feita pela Nielsen, 74% dos brasileiros preferem comprar de empresas sustentáveis.

O Papel das Empresas

As empresas, por sua vez, ocupando esse espaço do meio, entre as políticas públicas e os consumidores, podem atuar em toda a cadeia de valor, observando algumas áreas em destaque:

– desenhar produtos mais ecológicos e duráveis

– selecionar parceiros de negócio que também se preocupem com o meio-ambiente

– pensar em formas de reduzir o consumo de água na produção

– utilizar fontes de energias renováveis

– cuidar para diminuir os gases de efeito estufa tanto na produção como na distribuição dos produtos

– diminuir as perdas, fazendo uma gestação para otimização dos processos e reaproveitamento de materiais, produtos em elaboração e terminados.

– fazer a logística reversa

– reciclar os produtos dentro do seu processo produção

Esses são apenas alguns dos pontos, existem outros. Para as empresas serem sustentáveis, devem adotar um compromisso real, repensando todas as etapas da cadeia produtiva.

Em princípio, já deu para perceber a responsabilidade, dentro de toda cadeia, que que o Supply Chain Sustentável ocupa. Por outro lado, ele faz parte do elo. Então, toda a empresa deve estar preocupada com a governança ambiental.

Assim, as empresas podem gradual e constantemente ir implementando novas formas, mais ecológicas e menos agressivas ao meio-ambiente, de entregarem aos clientes o mesmo, ou até mais valor.

Como as Empresas Podem Ser Mais Sustentáveis?

Com o aumento da pressão, tanto através de leis regulatórias quanto dos consumidores, as empresas começaram a se dar conta que elas precisavam mudar de postura. Incialmente, apenas para evitar ter uma má reputação ou para cumprir com as questões legais. Então, incialmente as empresas se viram forçadas a mudar.

Mas, com o tempo, as empresas perceberam que, ser sustentável é também uma questão a ser considerada no longo prazo. Consequentemente, a questão ambiental ocupou um papel crucial para empresas que querem reduzir os custos e serem competitivas.

Não só isso, elas passaram a querer contribuir para a co-criação de um futuro de baixo carbono. E essa mudança na mentalidade fez as empresas buscarem soluções inovadores e parcerias estratégicas com empresas alinhadas com a mesma causa.

Gases de Efeito Estufa (GEE) e Aquecimento Global

Quanto mais desenvolvido e mais indústrias tem um país, maior é sua emissão de gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global. O ser humano viveu algumas décadas sem se preocupar com os recursos naturais do planeta. Até que um dia se deu conta de que, se nada fosse feito, estávamos caminhando para a nossa própria destruição enquanto espécie.

Parece trágico, eu sei. Mas é incompreensível saber que contribuímos com tantos danos ao meio-ambiente, do qual dependemos totalmente. E, além disso, ficar de braços cruzados, sem fazer nada para evitar a sua total destruição, ou ainda, tentar reverter o cenário.

Nesse contexto, é responsabilidade de todos buscar fazer a sua parte para frear e retroceder o aquecimento global.

E, algumas empresas, saíram na frente, pensando em como investir em novas formas entregar valor para a sociedade e os consumidores finais. Ou seja, elas foram muito além das normas e leis que regulamentam diretrizes em relação ao meio-ambiente.

Com esse intuito, empresas ingressaram nessa onda verde, abrindo caminhos e mostrando que é possível ser rentável e ainda assim conciliar os interesses econômicos com a natureza.

Colaboração dos Demais Setores

Contudo, com base nessas previsões sombrias, a comunidade internacional, se reuniu em fóruns com políticos e líderes de grandes organizações públicas e privadas, para encontrar soluções.

Assim, houve o Protocolo de Quioto que entrou em vigor em 2005. Depois, em 2016 o Brasil aprovou medidas com base no Acordo de Paris, se comprometendo a reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2025.

Decerto, para que tenhamos medidas efetivas, todos os setores da sociedade precisam colaborar.

Ecossistema para um Mundo Sustentável

Aliás, existe hoje um verdadeiro ecossistema de organizações públicas, privadas e da sociedade civil, colaborando e pensando juntas. Principalmente, como encontrar soluções factíveis, como planejar a longo prazo, como incentivar as empresas para que juntos possamos todos reverter o quadro.

Algumas dessas empresas de iniciativa privada e iniciativas da sociedade civil surgiram para regulamentar, orientar, sensibilizar e garantir que os esforços da empresas realmente estão evoluindo e contribuindo para um desenvolvimento sustentável.

Elas vão desde empresas de certificação de selos verdes como para elaboração de melhores práticas desde processos à ética no ambiente empresarial. Como é o caso da Ecovadis, a Carbon Disclosure Project (CDP), SGS Sustentabilidade, o Instituto Ethos e inúmeras outras.

Dessa forma, a introdução de práticas em prol da sustentabilidade em empresas exige ações que extrapolam os limites organizacionais. Sendo assim, empresas passam a ser analisadas de acordo com suas cadeias de suprimentos.

Como Ter um Supply Chain Sustentável?

Um conceito que gosto muito e que surgiu dessa necessidade de alinhar os objetivos das empresas com um plano de mitigação das condições climáticas, é o Green Supply Chain Managemt (GSCM).

O GSCM oferece novo enfoque à responsabilidade das empresas com o meio ambiente, envolvendo um relacionamento compartilhado com fornecedores, órgãos governamentais, organizações não governamentais, consumidores e sociedade em geral.

Adicionar o componente “verde” à gestão da cadeia de suprimentos envolve abordar a influência e as relações entre o gerenciamento da cadeia e da natureza, visando equilibrar o desempenho empresarial com as preocupações ambientais.

Nessa perspectiva, a GSCM engloba atividades como:

– redução de perdas

– reciclagem

– desenvolvimento de fornecedores

– adoção de tecnologias mais limpas

– adequações a normas e legislação

– reutilização de materiais

– economia no consumo de água e de energia,

– utilização de insumos ecologicamente corretos

– processos de produção mais enxutos e flexíveis

E resumo, a abrangência do GSCM, com princípios sustentáveis, vai desde a concepção do produto até o estágio final de vida útil do produto.

E como acaba essa história de ter um Supply Chain Sustentável?

Gosto muito da concepção também que não existe fora, então, mesmo quando tiramos algo das nossas vistas, não quer dizer que resolvemos o problemas, apenas que o transferimos para um outro lugar.

Tudo que fazemos, inclusive quando nos livramos de algo, descartamos algo que não queremos, ou quando usamos mal os recursos naturais do planeta, estamos causando mal a nós mesmo, ao planeta.

O tema da governança ambiental tende a ser um tema cada vez mais central no dia-a-dia das empresas e políticas públicas.

Existem várias empresas hoje trabalhando de forma a ajudar, orientar e certificar as indústrias e empresas para que elas possam virar a chave para um modelo mais verde, de forma gradual, mas consistente.

Cabe a nós, gestores e empresários ajudar a demonstrar que uma redução efetiva nas emissões de carbono pode ser feita conjuntamente com as atividades produtivas de uma empresa.

Não temos mais tempo, precisamos virar a chave para ontem!

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