As Parcerias Estratégicas e a Cadeia de Valor

Primeiramente, vale lembrar que o advento da globalização transformou o mundo dos negócios e de forma a não ter volta. Esse apanhado geral é importante para entrarmos no tema das Parcerias Estratégicas.

Desde já, podemos com certeza afirmar que a globalização permitiu a expansão da tecnologia e inovação, acesso a novos mercados e talentos e reduziu os custos dos produtos. Mas, também, é inegável o seu impacto no aumento da concorrência de uma maneira geral.

Com isso, para as empresas se manterem no jogo, elas precisam ser mais competitivas do que nunca. Inicialmente, para ser uma empresa competitiva, bastava ter tecnologia para ganhos de escala, oferecer produtos de qualidade e ter uma marca forte.

No entanto, com a explosão da tecnologia e comunicação das últimas décadas, ficou cada vez mais fácil copiar modelos de sucesso, e cada vez mais rápido e barato. Isso fez com que as empresas tivessem não só que buscar se re-inventar, mas também procurar a excelência na forma como a empresa gerencia os processos fundamentais envolvidos na satisfação dos clientes.

Parcerias Estratégicas: ganha-ganha

Nesse sentido, as empresas perceberam que havia um limite até onde elas podiam chegar em termos de inovação, eficiência e produtividade. Em outras palavras, elas viram que poderiam ter maiores ganhos se conseguissem fazer parcerias ou alianças com outros players da cadeia produtiva.

Ou seja, somente através de uma genuína cooperação, numa relação ganha-ganha, através da mútua confiança é que se torna possível fechar a equação: custo vs rapidez vs fluxo vs melhoria contínua.

Normalmente, essas parcerias estratégicas visam:

– redução de custos

– desenvolvimento de novas tecnologias

– melhoria na troca de informações

– otimização dos ativos e custos fixos

– expansão dos negócios

O que são então essas Parcerias Estratégicas?

Antes de tudo, existem vários tipos de parcerias, a mais comum, a comercial, é quando duas empresas colaboram entre si, através de um contrato de fornecimento de produtos ou serviços.

Igualmente, um exemplo que vivi de perto, foi a parceria entre a Nestlé e SAP. A Nestlé queria ter um sistema único, global e que interligasse todas as áreas e processos da empresa. Sendo assim, a única empresa que naquele momento tinha condições de atender essa necessidade era a SAP, mas mesmo assim, ela ainda não estava 100% pronta para atender todos os requisitos. Então a Nestlé investiu na SAP para que ela desenvolvesse o restante do sistema para que pudesse atender totalmente suas necessidades.

Em contrapartida, existem parcerias que vão um pouco mais além como é o caso da joint venture no mercado de biocombustíveis brasileiros, entre a Cosan e a Shell, formando a Raízen. Neste caso, uma nova empresa foi criada, dada a complexidade da parceria e seu principal objetivo foi a expansão dos negócios das empresas.

Em 1985 Michael Porter criou o termo Cadeia de Valor, que nada mais é do que o conjunto de atividades realizadas pelas empresas, desde a relação com os fornecedores até a entrega do produto ao cliente.

Em um contexto de produção “fragmentada” onde muitas atividades são terceirizadas, incluindo atividades estratégicas, o modelo de cadeia de valor proposto por Michael Porter merece ser revisitado.

Num primeiro estágio, buscando uma maior eficiência, as empresas passaram a terceirizar atividades tidas como “não core”. No entanto, elas perceberam também que existia um limite em que os relacionamentos múltiplos dos fornecedores podem ser gerenciados de maneira eficaz.

Então, as alianças estratégicas deixam de ser um acordo apenas contratual e passam a ser uma adoção de uma visão estratégica comum entre diferentes empresas.

E, como vimos no Artigo “Não há Indústria 4.0 Sem Logística 4.0”, um dos processos fundamentais das empresas é o processo da cadeia de suprimentos. Por isso é uma das áreas onde existe uma vasta oportunidade de colaboração e parcerias estratégicas.

Por que Ter Parcerias Estratégicas para o Supply Chain?

As questões estratégicas levantadas por esta nova configuração da cadeia de produção vão muito além das considerações técnicas apenas. Detalharemos alguns pontos importantes a serem considerados para que a aliança estratégica tenha bases sólidas o suficiente para resistirem ao tempo.

A cadeia de suprimentos é a espinha-dorsal da empresa. Por isso é impossível falar em parcerias estratégicas sem levar em consideração as inúmeras oportunidades de colaboração dentro do Supply Chain Management.

Podemos citar dentro os principais benefícios das parcerias estratégicas dentro do Supply Chain:

– eliminação dos problemas típicos de supply chain (falta de visão de longo prazo, falta de visibilidade dos elos da cadeia, falta de sincronização a com a demanda, para citar apenas alguns), assegurando melhoria contínua

– trabalhando juntos se tornam muito mais competitivos, evitando ineficiências e o efeito chicote (excesso de inventários, resposta lenta e perda de lucro)

– coordenação nas tomadas de decisão, reduzindo ineficiências inerentes a relações menos colaborativas

– troca livre de informações, compartilhando custos e dados de demanda

– sustentabilidade do processo

Portanto, somente considerando estes benefícios já temos uma ideia bastante clara do quão é relevante para as empresas pensarem nessas alianças se querem se manter competitivas no longo prazo.

Mas, sendo algo que vai além de um contrato que beneficia ambas as partes, o que de fato a empresa precisa levar em consideração ao buscar fazer alianças estratégicas?

Considerações para a Criação de Alianças Estratégicas

Visão e Estratégia

Essa visão do que é preciso para ter sucesso em seus respectivos mercados devem se alinhar ou se sobrepor para garantir que a parceria possa se desenvolver e permanecer forte. Os planos estratégicos de cada empresa devem ser considerados ou sofrerão sob o estresse da operação no dia-a dia.

Valores

As parcerias mais robustas existirão quando empresas tiverem valores alinhados e que possam ser compartilhados. Os valores são a base que catalisa um relacionamento de longo prazo.

Responsabilidade social corporativa, relações colaboradores vs. trabalho, sustentabilidade e outros fatores fazem parte dos valores de cada empresa.

Como Criar Parcerias Estratégicas de Longo Prazo?

Investimentos

O sucesso dependerá da alocação apropriada de recursos e do investimento por todos os envolvidos.

Independentemente disso, exige que ambas as partes apoiem a visão, estratégia e planos com o nível adequado de investimento em recursos humanos e financeiros e o compromisso de manter o curso.

Sistemas de Planejamento e Gestão

Os planos estabelecem os recursos envolvidos, os marcos para as principais atividades e as responsabilidades de ambas as partes.

Caso contrário, criará expectativas desalinhadas e, quando os problemas surgem, a capacidade de resolvê-los facilmente sofre.

Comunicação

O envolvimento inter-funcional aberto, transparente e forte entre os parceiros é tão importante quanto os aspectos contratuais e formais do desempenho a longo prazo e da contribuição de valor. Se os canais de comunicação não forem abertos e bidirecionais, o sucesso a longo prazo será comprometido.

Riscos

Quando duas empresas se reúnem para fazer negócios, ambas assumem riscos novos e compartilhados.

Um compromisso aberto e honesto fornecerá a clareza que ambas as partes precisam para lidar com os riscos quando eles ocorrerem sem comprometer a parceria.

Conclusão

As parcerias se desenvolvem ao longo do tempo com um esforço consciente de ambos os lados do relacionamento.

Esse escopo aprimorado é crucial porque as duas empresas têm laços financeiros e estratégicos significativos nos negócios. Isso comanda um conjunto mais holístico de critérios para avaliar a parceria total.

As cadeias de suprimentos com relacionamentos próximos, adquiridos e mutuamente benéficos nos níveis mais altos da hierarquia de fornecedores terão mais sucesso. Parcerias bem-sucedidas gerarão mais valor mútuo do que relacionamentos menores.

Para que isso seja possível, as empresas precisam da vontade de fazer parte de uma lógica de “confiança” e estar prontos para compartilhar dados operacionais, assim como previsões e até mesmo ambições. Na verdade, é uma questão de evitar efeitos surpresa para que cada parceiro possa se antecipar.

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