Tecnologia, o segredo do sucesso britânico.

08-10-2012 19:56

No século 19, o naturalista britânico Charles Darwin ganhou notoriedade com sua teoria da seleção natural. Segundo ela, conseguem sobreviver as espécies que melhor se adaptam ao meio. Neste início do século 21, diante de uma forte recessão econômica, o setor portuário do Reino Unido mostra que a tese continua válida. Para "sobreviverem" e atraírem cargas na competitiva região do Norte da Europa, os complexos do país buscam se adequar ao cenário econômico mundial e vão atrás de eficiência e produtividade. Para isso, investem em tecnologia.

"Os portos ingleses já conhecem essa lição desde o início do processo de privatização (em 1981). Um porto competitivo tem de ter tecnologia de ponta. E, principalmente agora, isto é inegável.No nosso mercado cada vez mais competitivo, atrai carga quem é eficiente. E para isso,investimos em tecnologia", explicou o diretor-executivo de The United Kingdom Major Ports Group Ltd (UKMPG ou Grupo dos Maiores Portos do Reino Unido), Richard Bird.

A UKMPG reúne os principais portos privados do Reino Unido. É uma associação formada por nove grupos econômicos, que administram 42 complexos portuários na nação (são 120 ao todo). E através deles, operaram 70% do comércio internacional britânico no ano passado. Suas instalações estão entre as mais modernas do país. Porto membro da UKMPG e líder britânico na movimentação de contêineres, Felixstowe conta com as únicas instalações de águas profundas do Reino Unido, inauguradas em setembro do ano passado. São seus berços 8 e 9, que têm 16 metros de profundidade (há planos para deixá-los com 18 metros) e podem receber navios capazes de transportar 18 mil TEUs.

Para isso, o complexo conta com os maiores portêineres do mundo, com lanças que alcançam até a 24º fileira de contêineres a bordo. A nova infraestrutura representou um investimento de um bilhão de libras (cerca de R$3,2 bilhões).

"Para aumentar nossa eficiência e, assim, reduzir nossos custos, a solução é investir em tecnologia. Essa tem de ser nossa principal preocupação. É por isso que os maiores portêineres do mundo estão em Felixstowe", comentou Richard Bird.

Outro exemplo de investimento em tecnologia pode ser encontrado no cais. O complexo faz o transporte de seus contêineres entre o pátio e o costado com RTGs (pórticos móveis sobre rodas), que garantem uma maior mobilidade e o aumento da capacidade de armazenagem do terminal. Os modelos utilizados nos berços 8 e 9 podem carregar 40 toneladas e empilhar até sete contêineres.

Localizado no Sudeste da Inglaterra (um dos países que formam o Reino Unido), a 113 quilômetros da capital, Londres, Felixstowe operou 3,74milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) ou 1,98 milhão de contêineres no ano passado, cerca de 40% do total nacional. O porto é uma propriedade da Hutchison Port Holdings, a maior operadora de terminais de contêineres do mundo.

Em 2011, Santos movimentou 2,99 milhões de TEUs e está próximo de atingir sua capacidade operacional, calculada em 3,2 milhões de TEUs. O complexo não conta com berços de águas profundas, mas encontra-se prestes a concluir a dragagem de seu canal de navegação para 15 metros e já planeja ampliá-lo para 16 metros.

Atualmente, os terminais santistas trabalham com portêineres capazes de alcançar até a 21ª fileira de contêineres a bordo. A partir do próximo ano, devem começar a operar equipamentos que podem atingir a 23ª fileira.

Planos de Expansão - A estratégia de Felixstowe, de investir em tecnologia, já é seguido por outros portos britânicos. No segundo lugar em movimentação de contêineres no país, com 1,5 milhão de TEUs escoados no ano passado, Southampton se prepara para aplicar R$ 500 milhões para receber navios conteineiros de 16 mil TEUs.

Seu terminal de contêineres é administrado pela Dubai Ports (DP)World, estatal dos Emirados Árabes Unidos que é a terceira maior operadora de terminais de contêineres do mundo.

O projeto envolve duas ações. A primeira é a ampliação de seu cais, de 1,3 para 1,8 quilômetros de extensão. O novo trecho terá uma profundidade de 16 metros (os demais têm 14 metros). A segunda medida é a compra de cinco portêineres, específicos para a operação de navios de 16 mil TEUs. Os equipamentos devem desembarcar no complexo no segundo semestre do próximo ano.

Com essas melhorias, a capacidade operacional de Southampton chegará a 2,8 milhões de TEUs por ano. O potencial atual não foi revelado. Mas ele chegou a embarcar ou desembarcar 1,7 milhão de TEUs em 2007, antes da atual crise financeira.

A preocupação com tecnologia também pode ser percebida no projeto do mais novo porto do Reino Unido, London Gateway. Em construção a cerca de 40 quilômetros a sudeste de Londres, às margens do Rio Tâmisa (que corta a cidade), e representando um investimento de 1,5 bilhão de libras (R$ 4,8 bilhões), o empreendimento terá 2,7 quilômetros de cais, 24 portêineres e uma profundidade de 17 metros em seus sete berços de atracação, o que permitirá atender navios de até 18 mil TEUs.

Idealizado para movimentar 3,5 milhões de TEUs por ano, o complexo terá operações semi automatizadas. O transporte dos contêineres entre a retroárea e os pátios será realizada com transtêineres (pórticos sobre trilhos) autônomos, que vão se movimentar a partir de um sistema de posicionamento por satélite e a programação de armazenagem das cargas.

Haverá funcionários apenas para movimentar os contêineres entre o pátio e o cais e para as operações de embarque e desembarque, na condução do portêiner. E isso somente nos primeiros três anos do terminal. A ideia é que, a partir do quarto ano, parte desses empregados seja retirada do costado e o serviço de movimentação torne-se totalmente automatizado. Os únicos técnicos presentes serão os operadores dos portêineres.

A mesma tecnologia já é adotada por terminais de contêineres em portos da Europa (como Roterdã) e dos Estados Unidos.

London Gateway é um empreendimento da DP World. Seu primeiro berço entrará em operação no final do próximo ano. E com toda a tecnologia necessária para enfrentar a competitividade do mercado e sobreviver.

Fonte: A Tribuna / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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