Supernavios ampliam tensão entre armadores e práticos.

30-07-2013 22:08

Com o crescimento do comércio exterior - que movimenta em torno de US$ 500 bilhões por ano - e o sucesso dos planos federais de dragagem nos portos, o Brasil, definitivamente, entra no roteiro dos grandes navios... que estão cada dia maiores. Em breve, a gigante Maersk deverá trazer ao Brasil supernavios como o Maersk Triple E, com capacidade de receber nada menos de 18.270 TEUs (contêineres de 20 pés ou equivalentes). Em princípio, esses gigantes só poderão atracar em Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS) e talvez sejam obrigados a operar com carga inferior ao limite, para evitar problemas, até que as obras de dragagem sejam consolidadas.

Uma fonte do governo comentou que notícias como essa levam a uma "contínua modificação no pensamento federal e reanálise completa de estruturas". O super navio tem 50 metros de boca e necessita de calado de 14,5 metros. O I Plano Nacional de Dragagem (PND) retirou 73 milhões de metros cúbicos de material, mas exigiu aperfeiçoamentos e o PND II deverá incluir áreas de cais, os berços. Assim, o Governo Federal assumiu dragar diretamente os berços, ao constatar que a delegação dessa tarefa criava um problema, pois navios grandes podiam ingressar no canal de acesso, passar por outras áreas mas esbarravam em problemas na hora de atracar.

O atual governo é bom em fazer alarde sobre investimentos e decisões. A todo momento são anunciados centenas de bilhões para portos, ferrovias e rodovias, sem contrapartida com a realidade. No início do ano, o governo anunciou a criação de uma comissão destinada a impedir cobranças exageradas por parte dos práticos - profissionais que guiam os navios na entrada e saída dos portos. Até agora a tal comissão é inócua. Informa-se que, com alegação de que os navios estão crescendo de tamanho, a praticagem está exigindo dois profissionais para atuar na entrada e saída de navios, com cobrança duplicada em relação a valores anteriores. Antes, a questão era resolvida - apesar dos atritos constantes - pelas duas partes. Agora, o governo meteu a colher e o mercado se defronta com nova realidade, em que os preços estariam duplicados. Resta saber o que diz a tal comissão de praticagem.

Fonte: Monitor Mercantil / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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