Só melhorias em porto poderão baratear frete.

19-01-2013 09:40

O preço do transporte rodoviário de cargas no Brasil só poderá começar a ter redução a partir das melhorias reais que foram anunciadas para os portos brasileiros pelo governo federal até 2017, período em que está previsto o investimento de R$ 54,2 bilhões. Antes disso, as empresas de transporte de cargas do modal rodoviário manterão a elevação dos custos para os clientes, para não perderem mais rentabilidade.

"Os gargalos que encarecem o frete estão nas pontas do processo. É inadmissível, por exemplo, que um caminhão demore de 6 a 72 horas para descarregar uma carga em um porto. Isso impacta diretamente os preços, já que se perde um dia de viagem porque há um gargalo no porto para carga e descarga", avalia o diretor-comercial-corporativo da Gafor Logística, Luiz Carlos Magalhães.

Segundo Magalhães, o tempo perdido no processo de carga e descarga é um dos principais fatores do encarecimento do frete rodoviário nos últimos anos. Somente entre 2012 e 2013, o valor subiu, em média, 20%.

O especialista em Logística e Transportes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Dênis Borenstein explica que a dependência exclusiva do modal rodoviário para o transporte de cargas no Brasil também encarece o preço final do produto, ainda que com uma manutenção mais barata. "O gasto com combustíveis é muito maior do que o do modal ferroviário, por exemplo. Países que já têm ferrovias desenvolvidas economizam 30% mais que o Brasil em logística. Além disso, a falta de segurança também encarece o frete, já que os roubos de carga têm-se tornado cada vez mais frequentes", explica o especialista.

O problema também é apontado pelo diretor-comercial-corporativo da Gafor Logística. "A falta de segurança nas rodovias é uma das nossas maiores dificuldades: impacta o preço do seguro e, com isso, o preço do frete, claro", detalha Magalhães.

Segundo dados do Sindicato das Empresas de Transportadores de Cargas de São Paulo e Região (Setcesp), em 2011, no Estado de São Paulo, foram quase 7 mil as ocorrências desse tipo, representando uma perda de R$ 295 milhões para as empresas.

Já sobre as condições das rodovias, que também são alvo de crítica do professor da UFRGS, o diretor da Gafor Logística diz que o tamanho do problema costuma variar de acordo com a região. "O nível das estradas depende da região. No sudeste não temos grandes problemas na maior parte das rodovias, mas no nordeste, por exemplo, temos problemas sérios. Isso aumenta muito os gastos com a manutenção."

Mão de obra - Outra dificuldade apontada pelo diretor-corporativo da Gafor Logística é a falta de mão de obra qualificada. Segundo Magalhães, a dificuldade de encontrar motoristas provocou a subida da remuneração dos profissionais e, consequentemente, o aumento do preço do frete. "Hoje nós chegamos a demorar até seis meses para preencher uma vaga de motorista porque o cargo exige muito mais do que há alguns anos. Os caminhões estão mais modernos, o transporte de alguns produtos exige uma formação especial. O Brasil hoje vive um apagão de mão de obra desse tipo. Com isso, temos que oferecer treinamentos mais completos e aumentar a remuneração dos funcionários", explica Magalhães, que destaca que a folha de pagamento tem representado um aumento de 25% nos gastos da empresa. Além disso, a Lei 12.619, de 2012, que determina períodos obrigatórios de descanso para caminhoneiros, provocou a necessidade de novas contratações, o que elevou o preço do frete em cerca de 20% no fim de 2012. "Nós reajustamos os preços assim que a lei foi promulgada. As operações de longa distância estão mais caras por conta disso. Isso pode ser visto pelo reajuste de preços ou pelo aumento do tempo para a entrega da carga, em razão da carga horária do motorista", explica Luiz Magalhães. "O que nós estamos fazendo é otimizar o tempo de carga e descarga para reduzir esse impacto. Antigamente o embarcador não tinha essa preocupação, mas hoje tem", completa.

Competitividade - Em meio a todos os entraves apresentados pelo setor, as empresas têm buscado alternativas para baratear a manutenção dos veículos. O investimento em tecnologia para melhorias mecânicas, por exemplo, é visto pelo setor como a única alternativa a curto prazo para amenizar o impacto financeiro.

Para Getúlio Correa Júnior, presidente da Technical Fairs, empresa promotora da Expofrota - Feira Internacional de Transporte Rodoviário, que deverá acontecer em setembro no Mato Grosso, além de todos os problemas apontados por empresários do setor, o Brasil ainda sofre por falta de competitividade entre as empresas. "O que nós vemos é que o custo é alto por causa da lei de oferta e procura. Quanto mais empresas transportadoras existirem, melhor será para o cliente, independentemente do tipo de modal", defende. "Além disso, é preciso trazer alternativas à manutenção, novas tecnologias para torná-la mais barata. Estamos nos preparando para oferecer uma renovação tecnológica, já que reduzindo o custo da manutenção, é possível reduzir o custo do frete."

Fora a troca de tecnologia de transportes, a Expofrota terá congressos e rodas de negócios, voltados exclusivamente aos empresários do ramo. "Vamos contemplar várias plataformas, que oferecem uma ampla base de prospecção, com significativas possibilidades de negócios com empresas de pequeno, médio e grande porte. Acompanhando tendências internacionais, de forma inédita no Brasil, a feira vai oferecer possibilidades de projeção de marca e alavancagem corporativa, com muitas perspectivas". A organização da feira espera 10 mil investidores vindos do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, da Bolívia e do Paraguai.

Fonte: DCI / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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