Pressão pelos portos 24 horas.

13-08-2012 22:53

Enquanto o governo quebra a cabeça para fechar novo pacote de investimentos em infraestrutura de transportes - portos, aeroportos, rodovias e ferrovias -, uma medida simples faria dobrar imediatamente a capacidade portuária, que está à beira do colapso. Bastaria a presidente Dilma Rousseff baixar decreto para fazer com que os terminais e todas as instituições envolvidas, como alfândega, vigilância sanitária, Receita Federal e operadoras funcionassem 24 horas, conforme estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

A canetada permitiria, segundo o levantamento, o tempo médio de permanência de um contêiner nos portos cairia de 5,5 dias para 2,7, abaixo da média mundial, de 2,9, mas ainda acima de vizinhos como o Chile (1,3). Vários terminais privados operam ininterruptamente, mas se a carga chega tarde da noite ou de madrugada e precisa de alguma documentação para ser liberada, fica parada no pátio esperando a inspeção dos órgãos que trabalham no horário comercial. Os maiores portos do mundo, como os de Xangai (China), Cingapura e Roterdã (Holanda), não param e liberam a carga em até um dia.

Enquanto isso, o Porto de Santos (SP), o maior do país, apesar de ter terminais privados operando 24 horas, a burocracia faz com que opere efetivamente das 9h às 17h, limitado aos horários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Receita, das Docas e do Ministério da Agricultura. Isso quando não estão em greve ou operação padrão, deixando o ritmo ainda mais lento.

O mesmo ocorre com o porto do Rio, que abre às 8h e fecha às 17h. Paranaguá (PR) opera das 9h às 17h ou 17h30, se considerarmos o fim do expediente dos funcionários da Receita. Procurada, a Secretaria dos Portos não retornou para comentar o estudo. A Receita também não. A Companhia Docas de Santos alegou que o funcionamento das 9h às 17h é apenas da área administrativa.

Só no primeiro semestre, foram embarcados e desembarcados 1,5 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), quase a metade da capacidade para todo o ano. O alívio deverá vir no ano que vem, quando começam as operações de dois terminais privados que, até 2014, mais do que dobrarão a capacidade de Santos. "Se a operação dos portos fosse 24h, o Brasil saltaria 40 posições no ranking de eficiência portuária, da 106ª para a 68ª", ilustra o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

Fonte: Correio Braziliense / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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