Porto deve se preparar para expansão ferroviária do Brasil.

26-11-2014 16:21

Preparar o Porto de Santos para o crescimento da utilização do modal ferroviário em todo o País é um dos desafios da comunidade portuária nos próximos anos. A opinião é do engenheiro civil e pesquisador do Laboratório de Transportes e Logística, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Silvio dos Santos. Ele será um dos debatedores da segunda e última parte da 12ªedição do Santos Export – Fórum Internacional para a Expansão do Porto de Santos, que acontecerá amanhã, na Cidade. 

O pesquisador participará do painel Desafios e Soluções de Infraestrutura do Porto de Santos, marcado para as 14 horas, no Salão Orquídea do Parque Balneário Hotel, no Gonzaga, em Santos. O seminário é uma iniciativa do Sistema A Tribuna de Comunicação e uma realização da Una Marketing de Eventos.
 
Além do pesquisador da UFSC, vão participar do painel o consultor portuário Frederico Bussinger, o professor do Instituto do Mar (Campus Baixada Santista) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Caio Fernando Fontana, e, ainda, o diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Codesp, Luis Cláudio Santana Montenegro.
 
O presidente da Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC), Martin Aron, e o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), João Maria Menano, também vão integrar a rodada de discussões. O editor de Porto & Mar de A Tribuna, Leopoldo Figueiredo, será o mediador.
 
“O meu tema será a situação atual das ferrovias no Brasil e nos acessos aos portos. Vou mostrar os problemas e os planos de Governo. A pergunta será como os portos vão lidar com o grande volume que passará a chegar por trens. Será que eles vão poder receber esse fluxo?”, questiona Santos.
 
Concessões
 
O engenheiro se refere a uma expectativa das autoridades que deve virar realidade em 10 a 15 anos. Com as concessões ferroviárias que estão em andamento por parte do Governo Federal, o plano é revisar a matriz de transporte. A ideia é diminuir a utilização do modal rodoviário e aumentar o percentual de cargas transportadas por trilhos. 
 
De acordo com o Ministério dos Transportes, o modelo proposto para as ferrovias prevê a concessão de trechos, precedida das obras, e a implantação de um transporte de alto desempenho.As empresas parceiras serão selecionadas em concorrências públicas.
 
“Pelo menos 30% das cargas devem ser transportados pelos trilhos. Com a Via Anchieta saturada e a Rodovia dos Imigrantes proibida para caminhões, a saída é utilizar as ferrovias, mas o gargalo está na Baixada”, afirmou o pesquisador, referindo-se às duas principais estradas que servem o Porto de Santos.
 
O Programa de Investimento em Logística (PIL) do Governo prevê a construção de 16 trechos ferroviários, num total de 11,5 mil quilômetros de linhas férreas, a um custo de R$ 91 bilhões. Desse total, R$ 56 bilhões deverão ser investidos nos primeiros cinco anos e R$ 35 bilhões ao longo dos 30 anos de operação. 
 
Esses aportes terão impacto na geração de empregos, na contratação de obras, no fornecimento de equipamentos e em serviços. 
 
Preparação
 
“Teremos trens maiores vindo com mais frequência. O problema é a chegada ao Porto. Como os terminais irão receber essas cargas, nós ainda não sabemos. Mas é certo que quem não estiver preparado para receber novos trens vai perder mercado”, destacou o pesquisador.
 
Segundo Silvio dos Santos, os pontos mais críticos para o transporte ferroviário na região estão entre Cubatão e Santos. Já a transposição da Serra do Mar, através do sistema cremalheira, atende à demanda atual e futura. Com o resultado das concessões férreas, o Porto também verá o perfil das cargas transportadas pelos trilhos mudar.
 
“A tendência é que se aumente o transporte de contêineres e não se concentre nas ferrovias só grãos e minério de ferro”.


Fonte: A Tribuna / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.


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