Obras prioritárias como ferrovia, hidrovia e porto traria economia de até 30% com logística.

02-12-2015 10:53

O uso de ferrovia e hidrovia poderia  proporcionar uma economia de 30% para os produtores do oeste baiano. E é  justamente para reduzir custos e aumentar a competitividade de seus  produtos que os agricultores da região resolveram acompanhar de perto as  obras de infraestrutura prometidas há anos pelo governo federal para o  Nordeste.

As obras consideradas prioritárias pelos produtores do oeste baiano  são a Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol); o Porto Sul, em Ilhéus;  a Ferrovia Transnordestina; a Hidrovia do São Francisco; e as BRs 242,  020 e 135.

Há duas semanas, o presidente da Associação de Agricultores e  Irrigantes da Bahia (Aiba), Julio Cézar Busato, participou de uma  reunião com o diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura  de Transportes (Dnit), Valter Casimiro Silveira, e o presidente da  Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Ministério da  Agricultura (Mapa), Edeon Vaz Ferreira, para tratar do assunto.

Busato foi a Brasília representando o Instituto Pensar Agro (IPA),  que reúne 38 associações de produtores de todo o Brasil, cuja sede  serviu de local do encontro. Ele é coordenador de logística e transporte  da entidade. "Quis saber em que pé estão as obras e o que a Frente  Parlamentar da Agropecuária (FPA) pode fazer para ajudar", resume.

A razão para o atraso nas obras, de acordo com o Dnit, foi o corte de  dois terços do orçamento mensal do órgão. "Foi necessário reduzir o  volume de execução dos contratos de construção em 45%, e de manutenção  em 35%, a fim de adequá-los aos cortes orçamentários e evitar a  paralisação de obras", disse o diretor geral do Dnit, por meio de nota.

A reunião em Brasília gerou o compromisso de encontros mensais entre  Mapa, Dnit e IPA. O objetivo é acompanhar o andamento dessas obras e ir  atualizando a Frente Parlamentar sobre a situação, para que possa  auxiliar esses projetos.

O governo do estado também se comprometeu a pressionar Brasília pelo  andamento da Fiol. A ferrovia, pelo planejamento original, já deveria  estar pronta há dois anos. "Estamos torcendo para que a economia do país  melhore e as obras andem", diz Julio Busato.
Competitividade

O presidente da Aiba explica que, como a região não usa ferrovias e  hidrovias para o transporte da produção, essas obras não fazem falta  para a logística do agronegócio da região. Mas, se estivessem  concluídas, representariam uma economia significativa para os produtores  no escoamento das nove milhões de toneladas de fibras e grãos e um  aumento da competitividade frente a outros mercados. "Somos teimosos e  podemos aguentar eternamente. Já estivemos pior, afinal a região é nova.  Só que outros países, mesmo os da África, estão melhorando suas  logísticas. Estamos ficando para trás. Essa é a preocupação. É uma  competição desleal", afirma.

Ele também ressalta a importância dessas obras, em especial da Fiol,  para o progresso da região, já que têm potencial para atrair a indústria  e o comércio. "Ao contrário do que as pessoas pensam, o oeste da Bahia é  pobre. Há bolsões de riqueza, sim. Mas há outros municípios que são  extremamente pobres".

O gasto com logística de um produtor do oeste baiano é quase quatro vezes maior que o de um norte-americano, compara Busato.
O impacto das obras no oeste

Fiol - A ferrovia, lançada em 2010, prometia transformar a Bahia em  um novo corredor ferroviário de exportação. Segundo a Aiba apenas 12%  dela está concluída. A Fiol diminuiria o custo com o transporte da  produção e impulsionaria a indústria e o comércio na região

Porto Sul - Parceria Público-Privada (PPP), serviria para escoar  grãos, algodão e fertilizantes, que chegariam pela Fiol. Busato estima  que traria uma economia de 40% no transporte de algodão. A última  projeção era de que ficasse pronto depois de 2014, mas, por enquanto, só  tem a licença ambiental

Transnordestina - Lançada em 2006, a ferrovia que liga Piauí, Ceará e  Pernambuco deve ficar pronta só depois de 2017. A expectativa é de que  gere uma economia no envio de milho, caroço de algodão e soja para o  Nordeste, principalmente para Ceará e Pernambuco
Hidrovia do São  Francisco - Se ela estivesse em funcionamento, proporcionaria uma  economia de 30% no transporte dos grãos da região. Atualmente, está  sendo feito o estudo de viabilidade técnica e econômica (EVTE)

BR 020 - O presidente da Aiba diz que falta asfaltar os 720 km que  ligam Campo Alegre de Lourdes (PI) a Santa Rita de Cássia (BA). O Dnit  afirma que está em fase de desenvolvimento de projeto de pavimentação no  trecho de Campo Alegre de Lourdes à divisa com Piauí

BR 135 - Liga São Desidério, no oeste, à divisa da Bahia com Minas  Gerais. Será útil para enviar a produção para o norte de Minas Gerais ou  para estados do Nordeste

BR 242 - Liga Luís Eduardo Magalhães ao Tocantins. O Dnit informa que  o trecho entre o entroncamento com a BA-460 e a divisa BA/TO está em  andamento

Fonte: A Tarde / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.


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