O Porto de Santos e o monopólio ferroviário.

11-06-2014 16:43

Responsável por 25,8% das movimentações da balança comercial brasileira, o Porto de Santos (litoral paulista) pode começar a apresentar maior fluidez no escoamento de cargas a partir do crescimento da utilização do modal ferroviário, abrindo espaço para um melhor aproveitamento do modal rodoviário, hoje praticamente em xeque na região, já que o cronograma das obras públicas na infraestrutura não acompanha o ritmo do comércio exterior. Esta é a opinião do professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Mauro Lourenço.

Hoje, informa, a participação do modal ferroviário no Porto santista não ultrapassa 25%. “E esse número inclui os 25% das exportações de açúcar do País que saem pelo complexo portuário”, observa, acrescentando que com a duplicação do ramal Campinas-Santos, esse percentual deve aumentar consideravelmente.
 
Lourenço contabiliza que 55% das safras de soja e milho, procedentes da região Centro-Oeste, chegam ao Porto de Santos em cima de trens, mas os restantes 45%, praticamente, vêm em caminhões, o que é suficiente para causar grandes congestionamentos nas vias de acesso à zona portuária.
 
Segundo experiência que deu certo em grandes portos dos Estados Unidos, Europa e China, a saída para a superação desse nó logístico é a ampliação do modal ferroviário. Todavia, o professor sés preocupa com a prevista fusão da ALL com a Rumo Logística venha a ampliar o atual monopólio e causar algumas distorções. “Não se pode esquecer que a Rumo Logística pertence à Cosan, uma trading açucareira. Portanto, se a fusão se concretizar, a ALL deverá priorizar o transporte de açúcar, deixando em segundo plano o de milho e soja.”
 
Se isso ocorrer, explica Lourenlo, haverá um aumento da utilização do modal rodoviário para o transporte de milho em direção a Santos, o que significa mais caminhões nas rodovias e vias de acesso ao Porto. E que haverá também maiores custos para os produtores, já que o frete por trem é seis vezes mais barato. Sem contar que o caminhão polui o meio ambiente.
 

Fonte: Portogente / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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