No caminho das cargas, custos, perigos e buracos.

27-06-2013 22:42

De caminhão, trem ou barcaças, todos os caminhos levam a Santos. Afinal, trata-se do maior porto da América do Sul, responsável por escoar boa parte das produções industrial e agrícola do Brasil. Mesmo quando essas cargas vêm do outro lado do País, como nas proximidades da Região Norte.

Entre os meios (ou modais) de transporte, o mais utilizado é o rodoviário. Mas a preferência não resulta de eficiência ou economia. Utilizar caminhões no transporte de cargas é mais caro, lento, perigoso e poluente do que pelos trilhos ou por hidrovias.

A situação é agravada pela falta de estrutura das estradas brasileiras. O resultado é um frete mais caro e a perda da competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

Os problemas envolvendo o transporte rodoviário da produção agrícola até o Porto de Santos é o tema da reportagem de hoje da série Na Rota do Caos, que A Tribuna publica diariamente nesta semana.

Segundo especialistas, o transporte rodoviário deve ser usado para percorrer pequenas distâncias com a carga, até 300 quilômetros, como entre o porto e um terminal retroportuário ou um centro de distribuição e a fábrica a que a carga se destina. Para longas distâncias, recomendam-se o ferroviário ou o hidroviário, que têm custos mais baratos, principalmente por conseguirem deslocar grandes quantidades de mercadorias por viagem.

São necessárias pelo menos duas mil carretas para o carregamento de um navio graneleiro, de acordo com o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes. Todos esses veículos enfileirados representam uma fila de 66 quilômetros de comprimento. Esses números mostram claramente porque o acesso aos terminais que operam grãos fica complicado.

As filas e a demora no embarque geram custos excedentes, como estadias prolongadas de motoristas, gastos extras com alimentação e combustível e até diárias adicionais dos navios à espera da carga. São principalmente os primeiros fatores que aumentam ainda mais o custo do frete, calculado com base no preço da carga e nos custos de transporte da mercadoria. Assim, o produtor não tem como firmar seu preço, já que vende toda ou parte da produção para grandes traders antes mesmo da colheita. E essas companhias, por sua vez, firmam os contratos com importadores estrangeiros para a venda das commodities.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato Rural de Sorriso (MT), Elso Pozzobon, o produtor é um mero "tomador" de preço, que não tem capacidade de estipular um valor para sua produção. A cidade de Sorriso é a maior produtora de soja do mundo, mas já sofre com o peso do valor do frete no orçamento.

As contas são simples e feitas pelos próprios produtores. São necessários, pelo menos, R$ 300,00 para o transporte de uma tonelada de soja do norte de Mato Grosso (MT) até o Porto de Santos. Já o tempo de transporte varia, principalmente, por conta da demora para o acesso ao complexo santista. O problema se agrava quando os embarques ficam concentrados em um curto período, como ocorre logo após a colheita.

Segundo transportadores de carga, um caminhão pode demorar até 20 dias para voltar ao Mato Grosso após a descarga em Santos. Vale lembrar que, durante todo este tempo, o motorista recebe pela estadia e as despesas com o consumo de óleo diesel também entram na conta.

Comparativo - Se o transporte da carga for feito pelo modal ferroviário, o valor do frete cai para menos da metade. O exportador, neste caso, precisa desembolsar R$ 120,00 para fazer o mesmo trajeto. O tempo médio de deslocamento entre cidades do Mato Grosso e o Porto de Santos é de quatro dias, a partir do descarregamento dos grãos nos terminais ferroviários.

Já para o transporte por hidrovias o custo não ultrapassa R$ 65,00 por tonelada entre Mato Grosso e o Porto. O valor é 78% menor do que no rodoviário e o transporte é considerado muito mais eficiente. Uma das vantagens é que não há necessidade de manutenção das vias navegáveis, ao contrário do que acontece em estradas, que precisam ser constantemente recapeadas.

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Fonte: A Tribuna / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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