Não precisamos de mais portos, mas sim de melhores portos, diz diretor da TCP.

02-01-2016 10:07
A frase parece ecoar aos quatro cantos do país: 2015 foi um dos anos mais difíceis para a economia brasileira nas últimas décadas. Contração econômica, expressiva desvalorização da moeda afetando os fluxos de comércio exterior, o mercado do Centro Sul do Brasil, que encerra o ano com uma contração de 2%, e uma forte mudança de tendências: importações caindo a 8%, e exportações subindo 5%, em comparação a 2014.
 
 
Em que se pese a sentença do momento de crise, o diretor Superintendente Comercial da TCP, Juarez Moraes e Silva, disse que a empresa ainda deve encerrar 2015 de forma positiva, com ligeiro crescimento. “Isso nos traz satisfação, pois significa que, por mais um ano, aumentaremos nossa participação de mercado”. Ele atribui ao crescimento da empresa a conquista de novos clientes e o desempenho do Terminal na movimentação de cargas refrigeradas, que aumentou em 13% neste ano. No período de janeiro a outubro de 2015, a TCP movimentou 671 mil Teus, um crescimento de 3% sobre 2014.
 
 
A ferrovia também foi responsável por uma parcela importante das operações da empresa, um diferencial que a TCP possui por ser o único terminal no Paraná e Santa Catarina com acesso ferroviário direto no terminal, o que lhe permite oferecer melhores custos de transferência. “O uso da ferrovia cresceu 20% em comparação ao ano passado”, disse Moraes e Silva, contabilizando que o modal chegou a 15% de toda movimentação da TCP.
 
 
Para 2016, a empresa acredita que o mercado vá se contrair novamente, mantendo a mesma dinâmica dos últimos meses de 2015: “importações em queda, e exportações em expansão”, prospectou Moraes e Silva.
Na navegação, Juarez contou que a cabotagem representa, hoje, 4% do total de cargas movimentadas pela TCP, sendo o restante de longo curso. “Acreditamos que a alternativa modal da cabotagem deva apresentar crescimento ano que vem, por sua atratividade de custos para os embarcadores”.
 
 
De acordo com ele, os terminais têm um desafio de se adaptar e se modernizar para atender a demanda do mercado, prestes a receber grandes navios e operações complexas de distribuição. “Fizemos investimento de R$ 365 milhões na ampliação e modernização do terminal, ampliamos a capacidade do Terminal de 800 mil Teus para 1,5 milhões de Teus, assim como a do cais de atracação, que foi de 315 metros para 879 metros. Além disso, houve investimentos em novos portêineres e transtêineres, mais modernos e de maior capacidade”.
 
 
Para acompanhar o novo mercado, a TCP também planeja aumentar a área de atuação, por meio da subsidiária de serviços de logística TCP Log, de modo a trabalhar além dos limites do porto, como armazenagem alfandegada ou não, estrutura de carregamento e descarregamento de contêineres, pátio para contêineres, entre outros. As bases TCP Log estão instaladas em Curitiba e Ponta Grossa (próprias) e Cascavel, Cambé e Araucária (em parceria).
 
 
Em 2015, a TCP lançou novos serviços de exportação, enquanto reestruturava outros já existentes. O novo serviço semanal de exportação direta para a região Oeste e Sul da África deve movimentar 600 contêineres por semana, e as saídas semanais para Ásia, tiveram aumentadas as escalas semanais para conferir mais agilidade logística e operacional e reduzir o transit time de mercadorias nessa rota.
 
 
Entre os principais entraves do setor, Juarez acredita que precisemos avançar na infraestrutura para desenvolver a capacidade de movimentação dos terminais. “O tamanho médio dos terminais brasileiros é muito inferior aos modernos terminais europeus e asiáticos. De fato, há nesses mercados terminais com movimentação superior a 10 milhões de Teus anuais, o equivalente a todo o mercado brasileiro. Aqui, o volume se divide em 20 terminais, com pequena movimentação média”, diz ele.
 
 
Segundo Juarez, a Lei dos Portos trouxe avanços e alguns retrocessos: “o Brasil precisa de melhores portos, e não mais portos”. Ele diz que A insuficiência da infraestrutura inviabiliza os importantes ganhos de escala do transporte e, por consequência, aumenta os custos. “Sofremos todos com as restrições de acessos marítimos e terrestres, porque simplesmente não há recursos suficientes e tampouco velocidade de implementação nas melhorias necessárias”. Ele acredita que, no futuro, o número de terminais será reduzido, enquanto o volume será concentrado em poucos terminais modernos e gigantes, com acessos marítimos e terrestres ampliados.
 
 
No entanto, considera que, hoje, estejamos meio do caminho: “há um grande excesso de capacidade portuária no Sul e SE do Brasil; temos terminais modernos com acessos inadequados disputando recursos, e terminais pequenos e inapropriados, aos poucos saindo do mercado”.
 
 
Para 2016, a TCP está se preparando para ser um desses terminais modernos para concentração de grandes volumes de cargas. Para isso, a empresa está em busca de autorização junto à Secretaria dos Portos, trabalhando em um plano de investimentos de R$ 1,1 bilhão para os próximos anos, que será dividido em fases. Na primeira fase, que vai até 2018, deverão ser investidos R$ 540 milhões em obras como, por exemplo, a ampliação da retroárea do terminal, chegando a 500 mil metros quadrados.
 
 
Também estão previstas obras de ampliação de 220 metros do cais de atracação (chegando a 1.099 metros de extensão), construção de dolphins exclusivos para a atracação de navios que fazem transporte de veículos e ampliação da capacidade do Terminal, de atuais 1,5 milhão de Teus para 2,5 milhões de Teus, antecipando a tendência mundial de navios cada vez maiores.
 

Fonte: Guia Marítimo / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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