Na guerra pela eficiência, terminais se armam para agilizar operações.

08-05-2012 21:06

Os terminais especializados na movimentação de contêineres no Porto de Santos já começam a traçar suas estratégias para operar navios cada vez maiores em um tempo cada vez menor. Para isto, investem no aumento da agilidade no embarque e no desembarque das caixas metálicas.

A medida é necessária, especialmente diante da crescente demanda do mercado, aquecido pelo avanço da economia brasileira.

A previsão da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária de Santos, é somar 3,1 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) neste ano, um crescimento de 3,82% sobre as operações do ano passado. Em 2011, 2,9 milhões de TEUS passaram pelo cais santista. A projeção para este exercício quase atinge a capacidade anual de movimentação do complexo santista para este tipo de carga, que é de 3,14 milhões de TEUs, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgado em 2010.

Considerando este cenário, os operadores portuários se desdobram para conseguir realizar o trabalho sem aumentar a taxa de ocupação de seus berços de atracação - querem movimentar mais no mesmo ou, se possível, em menos tempo.

Segundo o diretor de Operações do Terminal de Contêineres da Margem Direita (Tecondi), Querginaldo Alves de Camargo, com os novos equipamentos que devem começar a operar em agosto, serão necessárias apenas 15 horas para descarga e 22 horas para embarque de contêineres de um navio que transporta 1.500 TEUs. Hoje, a média de tempo de operação desses contêineiro no Tecondi pode chegar a 24 horas, no caso daqueles que só escalam para o embarque de cargas.

Se for para descarregar, são 17 horas normalmente. No geral, o período médio de operação de navios de contêineres é de 20 horas. Já nos terminais 35 e 37, da Libra Terminais, as operações levam cerca de 22 horas.

Para o consultor portuário Marcos Vendramini, a eficiência de um terminal é mensurada pela ocupação de seus berços de atracação. "O fator que manda é a ocupação do berço. Os navios maiores, com 1,5 mil ou 3 mil TEUs, terão que operar de forma eficiente para liberar espaço para outros navios tão grandes quanto eles", afirma.

Segredo - E a busca por uma maior eficiência é regra nos terminais do Porto. "O tempo médio de operação tende a cair conforme aumenta o índice MPH (movimentos por hora). Não tem segredo para isso. É preciso eliminar pequenos gargalos, falhas em manutenções e problemas em sistemas", destaca o diretor do Tecondi, Querginaldo de Camargo.

Já o diretor de Operações da Santos Brasil, Caio Morel, explica que, além da melhoria da infraestrutura e da compra de equipamentos, é necessário um bom aproveitamento da carga no terminal, com o acondicionamento adequado dos contêineres nos pátios.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC), Martin Aron, os números indicam que as empresas investem em tecnologia. Mas falta o Governo do Estado melhorar os acessos ao cais santista. "Os terminais estão fazendo a parte deles. Os investimentos em equipamentos geram o aumento de movimentos por hora e o planejamento dos pátios traz a organização que é necessária para o embarque e o desembarque dos contêineres", afirma Aron.

Planejamento - O presidente da ABTTC destaca ainda a necessidade do rigor no planejamento da carga, feito pelo armador. A intenção, neste caso, é otimizar o acondicionamento da mercadoria na embarcação.

Questionado sobre a Docas prever, para este ano, uma movimentação de contêineres próxima da capacidade operacional do Porto, Aron diz não se preocupar. Para ele, o aumento da produtividade dos terminais atenderá a demanda do mercado. O executivo lembra ainda que, no próximo ano, em Santos, terá início a operação das instalações da Brasil Terminal Portuário (BTP) e da Embraport, que dobrarão a capacidade de movimentação de contêineres pela região.

Mesmo assim, o presidente da ABTTC considera que o momento requer a união de todos os envolvidos na operação para aumentar a eficiência do Porto. "Temos que nos unir. Temos de aumentar a eficiência desde a chegada da carga, melhorando os acessos, até a saída dela, com as liberações. Assim, teremos agilidade na entrada e na saída do Porto com a diminuição da utilização de berços e de armazenagem nos terminais", enfatiza.

Fonte: A Tribuna / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

 

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