Mudanças na economia brasileira forçam novas estratégias de logística.

23-05-2012 20:38

Para especialistas, processo de logística do Brasil está longe do ideal e precisa ser mudado logo para acompanhar desenvolvimento da população

A ascensão da classe C afeta diretamente o mercado de logística e transportes no Brasil. E o país precisa aproveitar esse nicho em crescimento se quiser ser competitivo. É o que concluíram os participantes do painel “Brasil: um país sem logística?”, no 7º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

“Em 2006, aproximadamente 40 milhões de pessoas migraram das classes D e E para a C”, lembrou o presidente da Geodis, Nelson Fernandes, para quem esse dado não deve ser ignorado quando se fala em mobilidade.

O diretor da Geodis levantou outro ponto importante relacionado à atual conjuntura do país e que, em sua opinião, influencia diretamente nesta questão: “Quem, há 20 anos, podia imaginar que hoje o Brasil estaria com inflação dominada, juros caindo numa taxa razoável, desemprego numa taxa de 5%?”.

Na visão de Fernandes, existe “uma China dentro do Brasil”. Ele citou como exemplo a região nordeste do país, onde “a gente cresce a 12, 15, 18% ao ano”, argumentando que o desenvolvimento “da nossa China" é muito bom para os negócios. E completou: “Precisamos aproveitar isso”.

Anselmo Riso é da mesma opinião, mas com uma ressalva: o mercado de logística precisa acompanhar o passo do desenvolvimento, se quiser que o país seja competitivo. “Hoje o custo em logística representa, em média, 8,5% do faturamento das indústrias. Há 10 anos, variava entre 6,5 e 7%. Apesar do crescimento econômico do país, nenhum investimento de infraestrutura acompanhou o desenvolvimento”, argumentou.

Logística ineficiente

Para Nelson Fernandes, da Geodis, outras questões devem ser consideradas. Para responder à pergunta levantada no painel – “Brasil: um país sem logística?” –, ele tomou como exemplo o atual sistema rodoviário de transportes. E apontou: “Hoje existem 2,5 milhões de caminhoneiros no país, dos quais 70 mil trafegam pelas estradas transportando 40 toneladas de carga extra. Os caminhoneiros levam essa sobrecarga porque provocamos isso: queremos frete mais barato”. Fernandes foi mais longe: “Duas em cada três mortes no trânsito envolvem caminhoneiro. Isso é um país sem logística”, arrematou.

No entendimento do diretor de logística do Grupo Pão de Açúcar, Sérgio Biagioli, o problema não é a falta de logística do país, mas o fato de ser um processo “caro e ainda ineficiente”. Já o executivo da Bosch e diretor de comércio exterior do Ciesp Campinas, Anselmo Riso, acredita que existe, sim, logística nas indústrias de pequeno e grande porte, mas, segundo ele, apenas da porta da fábrica para dentro. “As empresas procuraram reduzir seus custos internos de logística no desenvolvimento de seus profissionais”, concluiu.

Fonte: Agência Indusnet Fiesp - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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