Modernização de rodovias e ferrovias é prioritária.

12-07-2013 16:00

Pelo menos três gargalos infraestruturais desafiam o desenvolvimento do Polo Petroquímico de Camaçari: a melhoria das rodovias federais BR-324 e BR-101, a adequação e expansão da capacidade dos portos de Salvador e Aratu e a reativação e modernização dos ramais ferroviários. "Estes são os pontos mais críticos e precisam ser superados com certa urgência", diz Marcelo Cerqueira, presidente do Comitê de Fomento do Polo Industrial de Camaçari (Cofic), entidade que congrega mais de 60 empresas associadas ao polo.

O especialista Adary Oliveira, doutor em planejamento territorial e presidente da Fundação Instituto Miguel Calmon (Imic), aponta mais um: "É preciso revisar o custo de energia, principalmente do gás, que chega a custar à indústria baiana US$ 17 por milhão de BTU (sigla em inglês de British Thermal Unit ou Unidade Térmica Britânica), enquanto nos Estados Unidos não passa de US$ 3 por milhão de BTU. Em São Paulo importa-se gás da Bolívia por menos".

Recursos financeiros para resolver esses problemas não faltam. O Ministério dos Transportes já anunciou investimentos de R$ 5 bilhões nos próximos cinco anos na melhoria da infraestrutura logística da Bahia. O pacote inclui a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e a Ferrovia de Camaçari, que liga o Polo Petroquímico ao Porto de Aratu. As duas estradas federais estão no Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, que prevê R$ 42 bilhões para a abertura e recuperação de 7,5 mil quilômetros de rodovias do país.

Nos últimos três anos, de acordo com a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), os portos de Salvador e Aratu receberam R$ 300 milhões em investimentos na ampliação e modernização da infraestrutura e nos processos de operação. No Porto de Salvador foram investidos R$ 55 milhões em obra de dragagem de aprofundamento do canal para 15 metros e R$ 160 milhões em novos equipamentos para o terminal de contêineres. Até o ano que vem, a empresa deve concluir um programa de investimento de R$ 360 milhões no Porto de Aratu. Há disposição também da iniciativa privada de estabelecer parcerias com os governos federal e estadual para investimentos na infraestrutura portuária. Só o dinheiro farto, entretanto, não basta.

"A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) determinou que fosse feita uma nova licitação para a construção de um novo terminal no Porto de Salvador, mas o prazo dado de três anos termina em outubro e até agora não foi feita a licitação", afirma Adary Oliveira, do Imic. "Quando olhamos para as rodovias federais, especialmente a BR-324 e BR-101, verificamos que, embora já estejam operando sob regime de concessão à iniciativa privada, elas ainda não apresentam o mesmo nível de resposta positiva ao usuário apresentado pelas rodovias estaduais", diz Cerqueira, do Cofic.

Dentro do Polo Petroquímico de Camaçari, dizem os especialistas, houve avanços na recuperação da pavimentação, limpeza e drenagem das vias internas nos últimos cinco anos a partir de convênios firmados entre a Secretaria da Indústria Comércio e Mineração e a Secretaria Estadual de Infraestrutura, com obras realizadas através do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado da Bahia (Derba). Ainda assim, também haveria espaço para melhorias e complementação dos projetos. A nova área, que vai duplicar o complexo industrial, terá que passar por um trabalho de ordenação do espaço físico destinado às indústrias, com todas as definições necessárias de infraestrutura, logística e proteção ambiental estabelecidas pelo plano de diretor, que será apresentado oficialmente hoje, quando completa 35 anos.

A localização estratégica do polo petroquímico, com fácil acesso às principais rodovias estaduais e federais, portos, terminais marítimos, aeroportos e ramais ferroviários, além da disponibilidade de matérias-primas e mão de obra, favorece a vinda de novas empresas para o complexo industrial e suas áreas de influência. A implantação de um centro logístico de distribuição impulsiona as expectativas otimistas. Foi o que fez a Kimberly-Clark, empresa americana líder mundial no segmento de higiene e bem-estar, que no fim de junho inaugurou sua fábrica no polo de Camaçari. Na unidade baiana serão fabricados o absorvente Intimus, as fraldas infantis Turma da Mônica e o tradicional papel higiênico Neve. A empresa, que já tem quatro fábricas e três centros de distribuição no Sul e Sudeste, consolida assim a sua expansão para toda a região Nordeste.

"Há uma certa movimentação das indústrias com a implantação de um centro logístico de distribuição, que seria extremamente estimulado pela conclusão da Via Expressa Baia de Todos os Santos ligando a BR-324 ao Porto de Salvador. Além de impulsionar o desenvolvimento e dinamizar as relações comerciais, a ampliação do polo torna-se indutor da revitalização, mas é preciso acabar com os gargalos de infraestrutura para que não se joguem fora grandes oportunidades", diz Oliveira, do Imic.

Fonte: Valor Econômico - Adaptado pelo Site da Logística.

 

 

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