Mais limpo e mais barato. O bom caminho é pelos rios.

01-07-2013 09:55

Diante de rodovias lotadas e ferrovias que ainda precisam de investimentos, o transporte hidroviário surge como a solução ideal para o transporte de cargas agrícolas entre as regiões produtoras e o Porto de Santos. Mas tal opção, mesmo que ideal, ainda é pouco explorada.

As hidrovias das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil utilizam apenas 50% de sua capacidade de movimentação de mercadorias. No ano passado, seis milhões de toneladas passaram por essas vias. A grande maioria dos carregamentos é composta por soja, farelo de soja e milho, que poderiam ampliar sensivelmente suas movimentações por esse modal.

Os desafios para a exploração do transporte hidroviário no escoamento da produção agrícola até o cais santista é o tema desta reportagem, a quinta da série Na Rota do Caos, que A Tribuna publica nesta semana. A série começou no último domingo, mostrando os problemas envolvendo a viagem da soja das regiões produtoras do Centro-Oeste até Santos, e prossegue até sábado, abordando, a cada dia, as dificuldades no transporte da safra até seu embarque no complexo marítimo.

Especialistas em logística apontam o transporte hidroviário como o mais limpo e barato. A cada mil toneladas transportadas por quilômetro, são gastos apenas quatro litros de combustíveis. O consumo aumenta para seis litros quando o modal utilizado é o ferroviário. E sobe para 15 litros quando os caminhões fazem o transporte da carga.

De acordo com o diretor-presidente do Departamento de Hidrovias (DH) do Estado de São Paulo, Casemiro Tércio Carvalho, a cultura de transporte através dos rios ainda não faz parte da realidade brasileira. A falta de embarcações no mercado e a necessidade urgente da eliminação de gargalos logísticos do sistema são os motivos da ociosidade desse meio de transporte.

Assim como acontece no transporte marítimo, manter a profundidade adequada para a navegação é um dos constantes trabalhos dos responsáveis pelas hidrovias. Os rios precisam ter, pelo menos, três metros de fundura para permitir o tráfego das barcaças.

Necessidades de melhorias identificadas pelo DH incluem dragagens nos canais de Conchas, Anhembi, Botucatu e Igaraçu do Tietê, além de obras na infraestrutura das eclusas de Bariri, Ibitinga, Promissão e Três Irmãos, todas no interior do Estado.

Outra questão que dificulta a navegação é a altura do vão das pontes rodoviárias e ferroviárias construídas sobre os rios. Alguns comboios são altos e esbarram nas estruturas, que também precisam ter os pilares reforçados. Pontes como a da Ferrovia Ayrosa Galvão, de Pederneiras, e a do Canal da Igaraçu do Tietê passam por obras para melhor proteger suas bases. "Também tem 'barbeiro' nas hidrovias, não é só na estrada", afirma o presidente do DH.

Por fim, a falta de atracadouros (locais para a atracação de barcaças) nas eclusas é outro entrave para o desenvolvimento do modal hidroviário na região. Para resolver os três problemas, o DH investe R$ 780 milhões.

Em março, foram abertas as licitações para as contratações de estudos preliminares e do projeto ambiental para a implantação de atracadouros de espera nas eclusas de Barra Bonita, Ibitinga, Promissão e Nova Avanhandava, todas no Interior do Estado.

A construção desses pontos de atracação é estratégica para o desenvolvimento do modal. Atualmente, é necessário desmembrar e recompor comboios para passagem nas eclusas, devido a restrições de comprimento. Essas manobras são realizadas em pontos de espera distantes. Atracadouros de espera vão otimizar o tempo para a entrada nas eclusas e diminuir a demorada transposição.

Tietê-Paraná - A Hidrovia Tietê-Paraná atende regiões de Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Sua extensão navegável chega a 2,4 mil quilômetros. Destes, apenas 800 quilômetros estão na área paulista, a mais industrializada e desenvolvida do País e que abriga o maior porto da América do Sul. Grande parte das cargas que vêm para Santos é embarcada em São Simão (GO) e desembarcada em Pederneiras (SP). Desse ponto, seguem de trem até o complexo santista.

Segundo o Departamento de Hidrovias do Estado, o transporte fluvial é marcado tanto pela ociosidade das vias navegáveis como por portos inativos. A questão desses atracadouros, destaca Casemiro, é um problema que está sendo tratado junto às prefeituras que têm o domínio das áreas. Os portos de Panorama e Presidente Epitácio estão na lista dos desativados.

O Brasil conta com 42 mil quilômetros de vias navegáveis. Por elas, 40 milhões de toneladas são transportadas todos os anos. Para se ter uma ideia da ociosidade do modal, basta comparar os índices brasileiros com os números verificados nos Estados Unidos.

Os rios norte americanos Mississipi e Missouri somam 6.250 quilômetros de extensão. Por essas vias, 400 milhões de toneladas de mercadorias são movimentadas todos os anos.

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Fonte: A Tribuna / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

 

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