Logística deficitária desafia expansão do agronegócio sul-americano.

02-12-2014 16:24

A expansão do agronegócio sul-americano está na berlinda. Um dos motivos  é a logística deficitária. Sem uma infraestrutura adequada de portos,  estradas, ferrovias e hidrovias, o custo de exportação tem aumentado,  fato que tira competitividade da região ante do seu principal  concorrente, os Estados Unidos.
O ponto de equilíbrio para a produção se fundamenta na exportação. A  América do Sul responde por 54% do comércio global na soja e por 31% no  milho. Está entre os líderes nos negócios envolvendo café, algodão,  cacau e suco de laranja. Porém, cresce em ritmo menor.
"O que pesa mesmo é a logística do Brasil e Argentina, por conta da  relevância desses dois países no agronegócio da região. Mas as demais  nações sul-americanas também não contam com boa infraestrutura", destaca  Luiz Antonio Fayet, consultor Confederação da Agricultura e Pecuária do  Brasil (CNA). Ele falou sobre logística no 1.º Fórum de Agricultura da  América do Sul, realizado no ano passado.
Neste ano, o tema é abordado pelo gerente do Departamento de Transporte e  Logística do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social  (BNDES), Nelson Tucci. A palestra "Infraestrutura e Logística: O  diferencial competitivo à produção e exportação" ocorre dia 27, às 18  horas.
Pelas diferenças geográficas dos países da América do Sul, não há um  problema logístico único ou uniforme na região. O que não reduz a  importância de um planejamento de infraestrutura conjunto.
No Brasil, os gargalos logísticos passam pelas estradas em má condição  de tráfego, falta de hidrovias e carência de investimentos em portos  marítimos. Diante deste cenário, de acordo com dados da Associação  Nacional dos Exportadores de Cereais (Onec), o custo lavoura-porto é  quatro vezes maior em relação ao praticado nos Estados Unidos. Enquanto  aqui são gastos US$ 92 por tonelada para exportar, no principal player  agrícola do mundo o custo é de US$ 23 por tonelada.
Na Argentina, onde as principais áreas agrícolas estão a menos de 250  quilômetros do Porto de Rosário, porta de saída da safra local, o  problema é a baixa profundidade da barra do Rio Paraná. Isso faz com que  os navios saiam com, no máximo, 50 mil toneladas de grãos, o que  encarece o frete. O Paraguai utiliza a estrutura argentina para 95% de  suas exportações de grãos. A Bolívia também aposta na saída pelo Rio  Paraguai até o Porto de Rosário. O Uruguai utiliza o Porto de Nueva  Palmira, no Sudoeste do país, e o porto brasileiro de Rio Grande (RS).

Fonte: Gazeta do Povo / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.


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