Licitação de ferrovias e investimentos em portos são apostas para avanço do setor logístico em 2013.

21-01-2013 16:38

Rodadas de licitações de ao menos 12 trechos de ferrovias e a ampliação dos investimentos em 16 terminais portuários são as apostas para o setor logístico manter o fôlego em 2013. A estimativa geral do segmento é de que um ritmo forte do Produto Interno Bruto (PIB), que deve fechar o ano em 3%, traga um avanço ainda maior dos transportes de cargas no País. Executivos dizem que o crescimento do setor tem caminhado em taxas que são o dobro do PIB - e em 2013 deve manter o mesmo ritmo.

Para o transporte ferroviário, cinco trechos de expansão devem entrar em leilão no primeiro semestre de 2013, e outros sete, no segundo. Há obras em todas as regiões do País, e entre elas estão o tramo norte e o tramo sul do Ferroanel, que circundará o município de São Paulo para desafogar o transporte de carga na região metropolitana.

"Prevemos dois anos de obras e não podemos passar de 2015 [para concluir o Ferroanel] porque senão teremos sérios problemas de movimentação de carga nessa área de São Paulo, que é importantíssima para o País", afirma Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

Ele participou nesta quinta-feira (17/01) do comitê aberto de Logística da Amcham-São Paulo, que debateu as perspectivas do setor para 2013. A conclusão é de que ainda há gargalos que devem ser superados com contínuos investimentos, tanto do setor público quanto privado.

Transporte sobre trilhos - Vilaça explica que o setor ferroviário é o que mais necessita de aportes, para retomar a competitividade. "A estrutura ferroviária brasileira tem mais de um século, e a maior dificuldade do segmento é escoar as toneladas de carga do interior do País". Ele se refere desde às safras de grãos do Mato Grosso até os minérios do Pará. "O caminho é esse mesmo: de rasgar o País em um canteiro de obras em todas as modalidades de transportes", afirma.

Para se ter uma ideia do atraso brasileiro, a malha norte-americana de trens tem mais de 220 mil quilômetros, enquanto a brasileira tem 29 mil. Somente se considerados os transportes metropolitanos, o metrô de Londres (Reino Unido), o mais antigo do mundo - com 150 anos de operação -, tem mais de 400 km de linhas, enquanto o de São Paulo (maior do País), conta com menos de 75 km.

Ainda neste ano, deve ser realizado o leilão do trem-bala, o veículo de alta velocidade que vai ligar as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. A previsão é de que a licitação saia em setembro, e que ele seja aberto ao público em 2020. As obras são orçadas em R$ 35 bilhões, segundo a Empresa de Planejamento e Logística (EPL).

"Agradeço muito ao transporte de passageiro sobre trilhos levantar essa bandeira" da necessidade de investimentos em transporte sobre trilhos, defende o diretor da ANTF. "Nenhuma carga cria situação tão favorável como a população exigindo obras de infraestrutura de mobilidade", avalia.

Segundo números da EPL, as ferrovias do País necessitam de investimentos da ordem de R$ 91 bilhões, dos quais R$ 56 bilhões devem ser aplicados entre 2013 e 2018. Ao menos 10 mil quilômetros de ferrovias devem ser construídos neste período.

Transporte marítimo - Gustavo Costa, gerente geral de cabotagem e Mercosul da Aliança Navegação e Logística, vê com bons olhos os investimentos nos portos brasileiros. A EPL prevê que R$ 31 bi devam ser aplicados até 2015 nos portos, dentro de investimentos totais de R$ 54,2 bilhões.

Costa defende que o setor privado passe a considerar mais as alternativas intermodais como a cabotagem. "Em mesma origem e destino, nós conseguimos ter preços de 10% a 15% mais baixos do que o puro rodoviário no custo logístico total, inclusive contando pagamento de seguro", afirmou ele, apostando em um aumento na integração entre transportes. "Hoje, nossa maior concorrência é com o rodoviário".

Segundo ele, é muito comum empresas optarem por transportar cargas por 4000 km e pagar os altos custos do uso de caminhões – incluindo os riscos de acidentes nas estradas e nos riscos de roubos de cargas, por exemplo. "O modelo das empresas é muito atrelado ao rodoviário. Isso precisa ser mudado e só depende de gestão. Na cabotagem, o item seguro é muito mais barato porque o índice de sinistralidade é praticamente zero, assim como de avaria".

"O sistema portuário no Brasil está equacionado - sabemos onde tem que investir, onde tem que mudar marco regulatório. Para aumentar a cabotagem, é preciso que as empresas passem a olhar esse modal, porque capacidade de transporte existe no sistema portuário", afirma. "Do ponto de vista sócio econômico, e até de sustentabilidade, a cabotagem tem isso em sua alma - emite menos CO2, congestiona menos estradas e tem menos acidente".

Uma das preocupações da intermodalidade com cabotagem é o custo tributário. "Quando se pega um modal aéreo, ele tem um ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] de 4% independente da origem ou do destino. É um só documento de transporte, sem tributo em cascata. No meu caso, pago imposto rodoviário [para levar a mercadoria ao porto] e depois marítimo".

O assunto é isonomia de tratamento entre os modais, defende ele. "A logística é fundamental à estratégia de competitividade", conclui Vilaça.

Fonte: Amcham / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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