Lei dos Caminhoneiros amplia gargalo.

03-01-2013 21:28

Se a cadeia produtiva da soja tivesse que escolher um único desejo a ser realizado em 2013 este seria o adiamento, mais uma vez, da Lei dos Caminhoneiros. A fiscalização da polêmica legislação 12.619/2012, que disciplina o trabalho dos motoristas profissionais, está prevista para começar em março.

Embora reconheçam que as novas regras prezam pela segurança nas estradas, entidades do setor avaliam que a determinação de jornada máxima para a categoria e períodos de descanso em intervalos menores dificultarão o escoamento da oleaginosa na entrada da safra.

O Brasil deve colher um recorde de 82,6 milhões de toneladas em 2012/13, 24% mais que na temporada anterior. Caso esse volume, que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou em dezembro, seja alcançado, o País se tornará o maior produtor mundial de soja. Mas os gargalos logísticos podem restringir o potencial brasileiro de exportação. Ainda assim, a Conab projeta os embarques do produto ao exterior em 36,4 milhões de toneladas em 2012/13, alta de 12%.

Apesar da intenção do governo de diminuir a dependência do transporte rodoviário, os investimentos em ferrovias e portos não devem ser percebidos no atual ciclo. "Estaremos muito pressionados, não só pelas dificuldades que vinham se acumulando, mas por causa dos entraves dessa Lei dos Caminhoneiros", afirma Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag).

Segundo ele, se aplicada da forma que está, reduzirá em 30% a capacidade de transporte. "Temos escassez de 50 mil motoristas. Para atender ao incremento da produção agrícola deste ano precisaremos de mais 20 mil veículos novos".

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT) e do Movimento Pró-Logística, Carlos Fávaro, diz que as limitações logísticas reduzirão a competitividade. "Ele (o agricultor) vai perder esse bom momento, vai pagar mais caro pelo transporte e vai ficar esperando em fila nos portos".

Alternativas - O analista da Agroconsult, André Debastiani, sugere investir em armazenagem para que o escoamento não se concentre no auge da safra. Ele lembra que o produtor teve boa rentabilidade nas últimas temporadas e depende menos de tradings para financiar a produção. "Ele tem a possibilidade de segurar a soja um pouco mais e tentar uma estratégia diferente de comercialização".

O diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, diz que nem sempre isso é possível. "Não se exporta só porque não tem armazém, mas porque a demanda está aquecida naquela época", explica, referindo-se ao fato de que a produção brasileira é ofertada no período de entressafra do Hemisfério Norte.

Fonte: A Tribuna / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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