Investimento em transporte no país é 10% da demanda, admite governo.

10-10-2012 18:28

O presidente da EPL (Empresa de Planejamento e Logística), Bernardo Figueiredo, disse nesta terça-feira (9) que o atual o programa de investimentos em transporte no país corresponde a apenas 10% do mínimo necessário para atender a carência atual do setor no país.

Segundo Figueiredo, o Ministério dos Transportes executa cerca de R$ 20 bilhões por ano, enquanto a necessidade para zerar o passivo e as deficiências criadas ao longo de anos de paralisia alcança cifras de R$ 200 bilhões a R$ 400 bilhões.

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O baixo investimento é um grande obstáculo já que, mesmo após ter multiplicado por 20 vezes o volume de recursos disponíveis para o Ministério dos Transportes nos últimos oito anos, não será possível resolver os problemas de infraestrutura de transporte em curto prazo.

Como não há recursos previstos para suprir essa deficiência, o presidente da EPL defendeu a ideia de selecionar os projetos que possam gerar ganhos reais de eficiência e produtividade na economia. Para ele, esta é a lógica de reconstruir uma empresa de planejamento recriada há cerca de um mês.

Mesmo assim será difícil, pois Figueiredo reconhece que o governo não sabe quais as reais demandas de transporte, seja em relevância estratégica ou em volume.

"O governo não conhece o mercado de cargas no país", disse no painel de abertura do Exame Fórum, realizado no Centro de Convenções da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Figueiredo admitiu que a empresa do governo terá de usar muita informação que foi gerada por instituições do setor privado, como a CNI (Confederação Nacional da Indústria) ou a CNA (Confederação Nacional da Agricultura).

Licenciamento - A EPL vai assumir os estudos de impacto sobre o meio ambiente para o licenciamento dos projetos para a nova rodada de concessão de ferrovias e rodovias. O objetivo, segundo Figueiredo, é tentar acelerar o licenciamento ambiental e evitar atrasos na execução de obras.

A decisão saiu de uma reunião na semana passada entre os ministérios dos Transportes e do Meio Ambiente, além da EPL.

"A conclusão desse encontro foi a de que seria importante transformar a EPL no empreendedor responsável pelo projeto para que o processo de licenciamento se inicie antes do leilão da concessão", disse Figueiredo que reconhece, entretanto, que esse modelo ainda não é o ideal.

No setor elétrico, um projeto de hidrelétrica só é incluído em leilões quando recebem a Licença Prévia do Ibama, a primeira fase do licenciamento ambiental. "Não é o ideal, mas acho que, pelo menos, vamos iniciar o processo de licenciamento", disse.

O governo se lançou numa grande meta para os próximos anos ao anunciar a concessão de 10 mil quilômetros de rodovias federais e 7,5 mil quilômetros de ferrovias. As primeiras rodovias a serem licitadas, segundo a EPL, entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013, serão as BR 040 e BR 116 no Estado de Minas Gerais.

Fonte: Folha de S.Paulo / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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