Ineficiência dos portos baianos está estrangulando a economia do Estado.

13-08-2013 20:18

A infraestrutura e a logística baiana foram temas abordados durante uma mesa-redonda na segunda edição do "Projeto Repensar Brasil - O País que queremos", que integra a programação de aniversário de 44 anos do jornal Tribuna da Bahia. Andraos também alertou para um problema delicado: o custo Bahia, que em 2012 foi estimado em R$ 549 milhões. "Isso representa perda de competitividade", avisa. A Usuport é uma entidade criada em 2004 e congrega associados de peso como Braskem, Paranapanema, Dow, Ferbasa, dentre outras.

O evento teve também a presença dos diretores da Usuport, Paulo Villa, Antonio Carlos Pereira, Murilo Xavier, da assessora Aldina Ventin, do diretor-presidente da Tribuna da Bahia, Walter Pinheiro, dos diretores Marcelo Sacramento e Paulo Roberto Sampaio, do secretário de Redação, Gerson Brasil, e dos editores Osvaldo Lyra e Nelson Rocha, além da repórter de economia Alessandra Nascimento. Uma série de questões foram discutidas, a exemplo dos gargalos na infraestrutura portuária, entraves logísticos, travamento dos portos, dragagem e os desafios crescentes numa economia globalizada.

Em relação aos gargalos dos portos públicos e os efeitos sobre a economia baiana, Andraos menciona que a problemática é antiga. "Essa situação já ocorre há algum tempo. Enfrentamos problemas de demurrage, que é o tempo de espera em porto. Em média, uma carga parada um dia no porto de Salvador custa US$ 25 mil dólares. O tempo de espera em Aratu é de 174 horas para granéis sólidos e para granéis líquidos e gás 72 horas. O tempo de espera do porto de Salvador não é divulgado. Nossa entidade procura colaborar se manifestando e oferecendo ajuda. É vital o diálogo entre as partes interessadas. Há um sentimento de indisposição para com a Usuport, mas somos nós que utilizamos os serviços dos portos e também que pagamos a conta. Procuramos o dialogo e tudo isso é documentado. Nossa intenção é colaborar para uma melhor gestão", declara.

Sobre a nova Lei dos Portos, recentemente sancionada pelo governo federal, o presidente da Usuport se mostra esperançoso. "Ao trazer uma regulação para o setor portuário, ela tira amarras. Entendemos que as soluções passam por medidas de curto, médio e longo prazo, e essa lei é uma luz no fim do túnel", frisa. O diretor da Usuport, Murilo Xavier, também ressalta que a questão portuária é mais complexa. "Ela não se restringe à otimização dos portos. A Bahia é bem localizada, no centro do Brasil, e há vantagem competitiva, podendo aproveitar melhor a cabotagem. Deveria se ampliar a proximidade com a Costa Leste dos EUA e a Europa otimizando isso via comércio exterior".

Evasão de cargas - Um assunto espinhoso foi levantado durante o encontro: 23% das cargas baianas são escoadas por portos fora da Bahia em virtude da precariedade local. "O algodão segue por Santos, 60% das frutas baianas são exportadas por Pecem, no Ceará, os produtos do segmento petroquímico são escoados por Suape, em Pernambuco, e Santos, em São Paulo. Esses dados são obtidos pelo Secex e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio. São cargas que poderiam gerar mais divisas ao estado e, consequentemente, empregos e renda, entretanto são escoadas por outros estados, gerando divisas para eles com a produção baiana. Estamos falando em R$ 883 milhões que são gerados fora da Bahia a partir da nossa produção", desabafa o diretor da Usuport, Paulo Villa. Ele reclama de uma melhor logística para minimizar as perdas econômicas estaduais.

O diretor Antonio Carlos Pereira fez menção à importância da logística na economia. "Nos EUA, a logística representa 8% do PIB, no Brasil não existem pesquisas, mas estimativas que apontam para 12%, e isso encarece e muito a produção nacional. Recentemente, uma pesquisa feita entre usuários de portos colocou os portos de Salvador e Aratu nas duas últimas posições num comparativo entre 18 portos brasileiros. Eles são considerados deficientes. A Bahia está longe de São Paulo, e isso é um complicador. O transporte de cargas até aquele estado representa custos. É mais barato trazer um produto da China para Santos, em São Paulo, que levar um produto da Bahia para aquele porto", considera.

Falta planejamento - O diretor Paulo Villa fez considerações quanto aos atrasos em realizações de obras estruturantes e modernizantes que deslanchariam a economia baiana. "Há uma ausência de planejamento e uma falta de diálogo com a sociedade e o governo. Compete ao governo fazer aquilo que a sociedade quer, e isso envolve exercer a democracia, entretanto, na prática, não vemos isso. Vivemos uma espécie de ditadura econômica", observa e acrescenta: "Vivemos no país uma situação delicada a respeito da insegurança jurídica".

Villa citou as dragagens realizadas no porto de Salvador e Aratu. "Em dezembro de 2010, a Secretaria de Portos apresenta as dragagens como obras concluídas e aponta para profundidade de 15 metros e investimentos realizados estimados em R$54,6 milhões para as obras de dragagem no Porto de Aratu e mais R$58,7 milhões a dragagem no Porto de Salvador, entretanto, em novembro de 2012, houve a homologação e foi constatado 13,9 metros para apenas um dos berços do terminal de contêiner arrendado do Porto de Salvador; e em abril de 2013 foi homologado o Porto de Aratu mantendo as profundidades anteriores à obra de 12 metros. Foram gastos valores para dragagem de 15 metros em ambos os portos e não foi feito", reclama.

Ele avalia que seriam necessários investimentos da ordem de R$ 5 bilhões até 2020 para a modernização dos portos públicos da Bahia. "Ceará conta com quatro berços de contêineres e Bahia somente dois. Se tais investimentos fossem feitos, a Bahia teria uma melhor competitividade".

Sobre a questão envolvendo a profundidade após a dragagem dos portos públicos da Bahia, a Tribuna da Bahia publicou na edição de 31 de julho, na matéria "Codeba aguarda licença para obras", informações da Companhia que dizia ter sido encontrada na área em que foi realizada a dragagem no porto de Salvador uma pedra e havia a necessidade de utilização de um equipamento especial para furá-la e atingir a profundidade de 15 metros. Também foi afirmado que, por hora, os portos baianos - Salvador e Aratu - não recebiam navios acima de 13,9 metros e que isso não afetava a dinâmica portuária. A Codeba havia dito que as obras ainda estavam sendo executadas.

Licitações podem melhorar eficiência - O presidente da Usuport, Marconi Andraos, acredita que as licitações podem melhorar a dinâmica dos portos baianos. "Os portos baianos se encontram no segundo grupo de prioridade do governo federal. Essas licitações podem contribuir para melhorar a eficiência dos portos". O diretor Murilo Xavier fez ressalvas quanto à guerra fiscal. "Ela passa por uma questão que evolve a necessidade de se dar ao estado mais atrasado vantagens competitivas para que ele possa promover o desenvolvimento naquela região mais carente quando ele não é dotado de vantagens naturais. A promoção do fomento é algo necessário e as vantagens competitivas são pontos que merecem ser contabilizados", avalia.

O diretor Antonio Carlos Pereira citou que o porto de Aratu, em especial, se encontra com problemas gravís-simos. "Há quebra de equipamentos, uma estrutura de concreto desabou, dos três berços, só dois se encontram em operação. Os equipamentos são deteriorados e houve recentemente interdição por parte da Superintendência Regional do Trabalho, identificando riscos à segurança do trabalhador. Esses entraves, por falta de uma melhor gestão, impactam nos preços dos produtos produzidos aqui, uma vez que acabam ficando mais caros num momento em que a competição é a marca dos mercados globais", considera. Ele diz que o porto de Salvador só dispõe de um berço de longo curso quando seria necessário, para atender a atual demanda, ter pelo menos quatro.

O presidente da Usuport, Marconi Andraos, contudo, reconhece os investimentos feitos nos portos, porém declara que eles não foram suficientes para melhorar as dificuldades. "As cargas continuam sendo escoadas por outros portos, enfrentamos problemas com tempo de espera e faltam linhas de navegação regulares e de armadores, no porto de Salvador, bem como dificuldades operacio-nais aumentam custos e preços elevados e baixa oferta de serviços. Em Aratu também identificamos custos elevados e baixa produtividade, regu-lação e controles inexisten-tes, além de algo que é comum a ambos os portos: os processos licitatórios de arrendamentos de áreas e instalações para ampliar capacidade dos portos não iniciados pela administração portuária", finaliza.

Fonte: Tribuna da Bahia - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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