Governo precisa investir de R$ 80 s R$ 100 bilhões por ano em logística.

07-12-2012 21:33

Em 2003, o orçamento para transporte era de R$ 1,5 bilhão ao ano e, atualmente, está em R$ 20 bilhões. “Já revertemos parte deste déficit”, afirmou Bernardo Figueiredo, presidente da EPL (Empresa de Planejamento Logístico), em debate promovido pelo Lide Logística com o tema “Questão Tributária no setor de Logística Multimodal. Segundo Figueiredo, estudos do mercado mostram um déficit de R$ 400 bilhões e o governo precisa passar a investir entre R$ 80 e R$ 100 bilhões ao ano para reduzir mais este déficit.

Para Figueiredo, o crescimento do Brasil mostrou que não havia logística adequada e que agora o mercado vê e pede solução. Ele lembrou que, a partir de 1980, vieram 20 anos de recessão, havia frota grande de caminhões, o preço do frete caiu pela concorrência predatória entre as empresas e ninguém mais falou em logística. “Hoje, a ampliação da economia, com mercados em lugares mais distantes e onde os custos de transporte são maiores, revela que os problemas estão aí há bastante tempo e não serão resolvidos rapidamente”, completa.

O presidente da EPL lembrou que, no Brasil, a idade média da frota brasileira de caminhões é de 20 anos, enquanto nos EUA é de sete anos. “Não é sustentável ancorar a logística numa frota antiga, em motoristas que são obrigados a trabalhar 19 horas por dia, sete dias por semana, em caminhões que viajam com excesso de peso”, explica. Para ele, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) foi a primeira iniciativa para mudar este quadro. “Eram ações que estavam aí há dez anos, mas que não eram executadas porque não havia orçamento para isso. O PAC trouxe previsibilidade orçamentária e recursos garantidos”, afirma Figueiredo.

Segundo Bernardo Figueiredo, uma das principais dificuldades na realização das ações são bons projetos, estudos econômicos e licenciamentos. “Temos que trabalhar as ações com antecedência, temos programa agressivo e o que queremos mostrar ao mercado é que vamos cumprir os cronogramas”, garante. O objetivo é ter a maior parte dos eixos rodoviários duplicados e sob administração privada. “Não vamos esperar a rodovia congestionar para duplicar porque a logística tem que estar na frente”, acrescenta. Ele citou o exemplo da Bahia, onde a ferrovia que será construída já está com 100% da demanda vendida antes mesmo de ela estar pronta.

Fonte: Guia Marítimo / portogente.com.br - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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