Governo Dilma aposta nos recursos da China para investimentos em infraestrutura.

21-05-2015 15:27

Em um ano de dificuldades econômicas, o  governo aposta nos cofres cheios de dinheiro da China para pagar pelos  investimentos em infraestrutura que o Brasil não tem como fazer. A  visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, hoje, terça-feira (19),  em Brasília, está sendo tratada como uma rara oportunidade de apresentar  uma agenda positiva. Com US$ 53 bilhões a serem investidos em um fundo  de financiamento à infraestrutura, o governo chinês pode garantir obras  como a segunda linha de transmissão de Belo Monte e a ferrovia entre  Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO).
Dos recursos já  anunciados para o fundo de infraestrutura, que deverá ser gerenciado  pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco de Desenvolvimento da China,  cerca de US$ 10 bilhões poderão ser investidos nas linhas de transmissão  de Belo Monte. A empresa chinesa State Grid já venceu a licitação, com a  Eletrobrás, da primeira linha, até São Paulo, que terá um custo de US$  5,5 bilhões. Este deve ser um dos mais de 30 acordos que serão assinados  durante a visita de Keqiang.
Uma segunda linha, até o Rio de  Janeiro, com um custo de US$ 7,7 bilhões, deverá ser licitada em junho e  também interessa à State Grid. O investimento entraria na lista de  financiamentos pelo novo fundo.
O governo também vê no fundo a  possibilidade de resolver parte do financiamento à construção de  ferrovias. Em 2014, durante a visita do presidente da China, Xi Jinping,  foi assinado um termo de acordo para estudo de viabilidade de  investimentos entre a construtora Camargo Corrêa e a China Railway  Construction Corporation visando a construção da linha entre as cidades  de Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), onde se ligaria à ferrovia  Norte-Sul. Um dos trechos mais importantes para os produtores de grãos  do Centro Oeste, de quase 900 quilômetros, teria um custo de US$ 5,4  bilhões e ainda não foi licitado. Agora, pode entrar na lista de  financiamentos chineses.
Na véspera da visita do  primeiro-ministro, a presidente Dilma Rousseff convocou os ministros  Joaquim Levy (Fazenda), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Mauro Vieira  (Itamaraty) e Nelson Barbosa (Planejamento) para uma reunião  preparatória. Também participam da audiência os ministros Armando  Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Antônio  Carlos Rodrigues (Transportes), Kátia Abreu (Agricultura) e Ricardo  Berzoini (Comunicações), além do embaixador do Brasil na China, Valdemar  Carneiro Leão para revisar os últimos detalhes dos acordos. Dentro do  Planalto, o premiê chinês tem sido visto como “o salvador da Pátria” em  um ano de ajuste econômico severo.
O governo conta com o apetite  chinês no programa de concessões a ser anunciado em junho,  principalmente na área de ferrovias, mas também portos, aeroportos e  energia. O governo espera ter outras duas boas notícias para anunciar: a  assinatura de um novo protocolo sanitário que permitirá ao Brasil  voltar à exportar carne bovina em natura para a China Continental e a  assinatura da venda de 22 aviões da Embraer para a Tianjin Airlines.

Fonte: Jornal do Commercio / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.


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