FAEB: País quer reduzir custo de produção, afirma Dilma.

13-12-2012 20:52

A presidente Dilma Rousseff e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, bateram na tecla, ontem, em Paris, de que o governo está preocupado em reduzir o custo de produção, elevar a competitividade e resolver os gargalos de infraestrutura no país.

Como novas medidas, informaram que pretendem adotar medidas para reduzir o custo do gás (sem dar detalhes) e contaram para uma plateia de empresários franceses que novos aeroportos serão concedidos para a iniciativa privada, repetindo modelagem usada na concessão de três terminais no país.

Como as questões macroeconômicas estão resolvidas, segundo a presidente, o desafio agora é elevar a competitividade do país. "Temos dívida pública sob controle e austeridade fiscal, o juro caminha para um patamar internacional. O desafio é elevar a competitividade, e aumentar a taxa de investimento no Brasil", afirmou, durante a abertura do seminário "Brasil-França: Desafios e Oportunidades de uma Parceria Estratégica".

A presidente falou sobre os programas de concessões de transportes e enfatizou os futuros investimentos em ferrovias. "Reduzir gargalos na infraestrutura é nó górdio que Brasil tem que desatar", afirmou, acrescentando que tais gargalos foram produzidos por 20 anos de austeridade. As políticas empreendidas até agora, afirmou Dilma, devem ajudar o país a reforçar as exportações de produtos manufaturados.

Ao responder perguntas de empresários sobre novos projetos de infraestrutura, Dilma falou sobre as medidas para os aeroportos, que devem ser anunciadas antes do Natal. "Vamos licitar grandes aeroportos na mesma modelagem que já foi feita e recapacitar a Infraero", disse, acrescentando que o governo pretende estimular os terminais regionais.

"Pretendemos fazer 800 aeroportos regionais, ou mais". Embora a presidente tenha falado em 800 terminais, o número com que o governo trabalha é de 80 novos aeroportos regionais, aumentando a rede atual para 210 terminais em cidades de médio porte (acima de 100 mil habitantes).

Pimentel disse que a redução do preço do gá exige algumas medidas na Petrobras. "Isso será feito. O próximo passo nessa direção já está planejado. Com certeza, o fato de termos grandes reservas de gás de xisto vai nos ajudar", disse o ministro. Mantega reiterou essa necessidade e disse que "o país tem de encontrar uma solução para reduzir o custo do gás".

Mesmo no cenário de crise longa na União Europeia (UE), Mantega mantém a previsão de crescimento de 4% da economia brasileira em 2013. "Nós nos preparamos para este cenário", disse. Segundo ele, o país fez reformas profundas para ganhar competitividade, à medida que a UE não conseguia solucionar a crise.

Mantega citou a redução dos custos tributário, financeiro, cambial e de energia como medidas para que "a economia brasileira possa crescer, mesmo em um ambiente de crise que vai continuar". Para o ministro, se os Estados Unidos melhorarem um pouco, conseguindo superar o problema do "abismo fiscal", a economia internacional pode ter um alento.

Para o ministro da Fazenda, o atual cenário europeu retardou a recuperação da economia brasileira, "porque há uma conjuntura em que a indústria não consegue exportar, mesmo com câmbio favorável". Ainda assim, disse, as medidas estão surtindo efeito, "talvez não na velocidade que gostaríamos". O ministro prevê aceleração gradual do crescimento. "O quarto trimestre deve ser melhor do que o terceiro, de modo que o Brasil entra com economia se acelerando em 2013".

Mantega disse ainda que com a queda das taxas de juros, o Brasil caminha para "outro equilíbrio, que já está se implantando, mas não é imediato". A queda de juros permitirá ganho de competitividade, segundo Mantega, porque será possível reduzir tributos para as empresas. "Com isso, criamos condições para que a atividade possa se situar acima de 4%."

Na avaliação de Mantega, o câmbio está hoje mais competitivo e mais equilibrado e não há patamar ideal, porque a moeda é flutuante. Para ele, o fato de o comércio mundial estar travado impede os exportadores de aproveitarem essa vantagem competitiva. "Só vamos perceber os benefícios do câmbio quando a indústria começar a exportar mais".

Fonte: O Estado de São Paulo / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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