Dilma articula grande plano de logística.

07-08-2012 11:46

Para despertar o "espírito animal" dos empresários num quadro de estagnação econômica e, de quebra, estabelecer uma agenda positiva em meio ao julgamento do mensalão, a presidente Dilma Rousseff prepara o Plano Nacional de Logística Integrada (PNLI).

Trata-se de um ambicioso projeto para, nos próximos 30 anos, interligar rodovias, ferrovias e hidrovias a portos e aeroportos. As medidas envolvem mudanças na legislação, concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs).

No transporte marítimo, fazem parte do pacote a entrega à iniciativa privada de três portos públicos - Manaus (AM), Bahia e Vitória (ES) - e a definição sobre o destino dos cerca de 90 terminais privados cujas concessões estão vencidas ou por vencer. Além disso, o governo prepara um novo modelo de gestão dos portos federais que se encontram com os Estados.

Investimentos de mais de R$ 11 bilhões aguardam a definição de um único ponto: o que fazer com os terminais portuários que estão em mãos da iniciativa privada e cujos contratos estão expirando. A cifra diz respeito aos 30 terminais filiados à Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP).

Pressão - Nas conversas internas, o ministro- chefe da Secretaria Especial de Portos, Leônidas Cristino, propõe que eles sejam todos licitados novamente. No entanto, o setor privado pressiona pela prorrogação dos contratos. "O governo não tem condições de licitar 90 terminais no curto prazo", diz o presidente da ABTP, Wilen Manteli.

No Governo, a posição há até pouco tempo era contrária à renovação. Porém, ganha força a ala que concorda com a prorrogação de alguns contratos.

Maratona - Pelas dificuldades, o ministro Leônidas Cristino participou de uma maratona de reuniões na semana passada com a ministra- chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que coordena a elaboração do pacote. Ele esteve no Planalto todos os dias.

Na quinta-feira, reuniu-se com Dilma para o que os assessores chamam de "sessão de espancamento" dos projetos. A presidente questiona duramente cada detalhe das propostas e manda refazer vários pontos.

A intenção é fechar o pacote de concessões em infraestrutura para anunciar nos próximos dias. Em seguida, virão as medidas para reduzir o custo da energia elétrica e o anúncio da prorrogação de concessões de usinas e linhas de transmissão que vão vencer em 2015.

Juntos, esses anúncios deverão dar à iniciativa privada um horizonte para o planejamento de investimentos. Também se estudam novas desonerações tributárias e a reforma do PIS/ Cofins.

Concessionário não espera renovação e decide investir

A indefinição sobre o que o governo fará com as concessões de terminais portuários que estão vencidos ou por vencer não paralisou os investimentos. Há projetos em plena execução, como é o caso da Rumo Logística, empresa do Grupo Cosan que tem projetos de R$ 200 milhões em andamento no Porto de Santos.

No total, ela pretende investir R$ 1,3 bilhão em trens, trilhos e porto para levar açúcar do interior de São Paulo para o exterior. A empresa adquiriu R$ 400 milhões em vagões e locomotivas de alta performance e gasta outros R$ 600 milhões para duplicar uma linha férrea concedida à ALL.

"Precisamos prorrogar nossa concessão", disse o diretor da empresa, Angelo Baptista, após reunir-se na semana passada com o ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos, Leônidas Cristino.

Oportunidades - Para o executivo, o pacote em elaboração no governo é um conjunto de oportunidades. Ele explicou que a Rumo, uma empresa formada há dois anos, tem a intenção de tornar-se uma gigante em logística no agronegócio. Por isso, interessa a ela, por exemplo, a definição do novo modelo de concessão de ferrovias. Tudo indica que o governo abrirá espaço para a entrada de novos operadores.

"Terminais portuários de granéis também nos interessam", afirmou. É grande a expectativa do empresariado em relação às medidas que a presidente Dilma Rousseff prometeu anunciar entre agosto e setembro.

"Estamos no aguardo, acreditamos que serão medidas para ajudar o País", disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade. "O empresariado só investe se tem a possibilidade de produzir algo que tenha mercado e rentabilidade", comentou, ao falar sobre o 'espírito animal' que o governo quer despertar.

Fonte: A Tribuna / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

 

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