Congestionamentos causam R$ 59 milhões de prejuízos.

13-03-2013 20:16

Os congestionamentos nas vias de acesso ao Porto de Santos, nas últimas duas semanas, causaram prejuízos de aproximadamente R$ 59 milhões (US$ 30 milhões) ao setor na região. O valor, estimado pelo Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), representa a perda de receita líquida de pelo menos 10 empresas do segmento portuário local que tiveram cargas retidas nas longas filas das rodovias.

Esses congestionamentos surgiram pelo excesso de veículos - a maioria transportando cargas da safra agrícola – com destino ao complexo santista. As mercadorias do agribusiness têm sido enviadas sem controle ao Porto devido à falta de estrutura de armazenagem no País, estratégica para permitir o cadenciamento do envio.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estima que a safra de grãos deste ano deve atingir até 183,5 milhões de toneladas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entretanto, garante que a capacidade nacional de armazenagem não é suficiente para a demanda. Hoje, divididos em 17.576 armazéns, é possível reter até pouco mais de 148 milhões de toneladas (um déficit de 35,5 mi de toneladas).

"Esse dado é um alerta, assim como a situação atual dos caminhões. Que bom que estamos produzindo mais. Mas que pena que vamos perder muito dinheiro", comenta o coordenador do curso de MBA em Gestão Portuária - Infraestrutura, Logística e Negócios da Universidade Católica de Santos (UniSantos), Carlos José Pereira.

"Infelizmente, o Brasil não planejou ações a curto prazo, capaz de suportar o nosso crescimento", completa, ao garantir que imagem internacional fica “comprometida”.

Perda - Em decorrência de contêineres não embarcados, por terem permanecido retidos nas filas de congestionamento mais tempo que o previsto, associados do Sindamar acumulam prejuízo recorde, pois deixaram de operar cargas.

E empresas instaladas no Golfo do México, na Costa Leste dos Estados Unidos, na Ásia, no Mediterrâneo e no Norte da Europa deixaram de receber os produtos no tempo pré-determinado e tiveram que se readequar. "O reflexo das cargas não embarcadas já atinge o segmento automotivo e outros setores", alerta o diretor-executivo do sindicato, José Roque.

Além disso, ele aponta impactos na exportação, com a redução da capacidade de armazenamento e velocidade operacional nos terminais, o acúmulo de embarcações fundeadas (aumentando o custo de afretamento do navio) e, também, o fato de os cargueiros consumirem mais combustível para "desenvolverem navegação a toda velocidade" (para cumprir prazos e janelas em outros portos).

"Este ano extrapolou todos os controles. O Brasil fica totalmente prejudicado quando nos deparamos com esse quadro. Só uma associada perdeu, em uma semana, R$ 2.254 milhões (US$ 152 mi)", complementa Roque.

Para ele, essa situação fará com que os exportadores procurem alternativas nos portos do Norte e Nordeste do País ou até mesmo em outros países produtores concorrentes, prejudicando ainda mais o cenário. "Nos últimos anos temos sofrido com esses gargalos, resultando em prejuízos operacionais".

Respiro - Para o coordenador do curso de Logística da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Adolfo Eduardo Flório, são poucas as opções que existem para tentar suprir a demanda. "Uma das alternativas é utilizar a hidrovia no Rio Tietê, que ainda precisa de ajustes", diz.

Para o especialista, é inaceitável impedir o crescimento da produção agrícola brasileira, pois acarretaria em uma "recessão". "Também é preciso investir nas ferrovias para desafogar as ferrovias. É um transporte mais barato e mais eficaz", finaliza.

Fonte: A Tribuna / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

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