Comitê Integrador e empresários debatem a Ferrovia Binacional Brasil-Peru.

01-10-2015 11:58

A China constrói uma ferrovia em três anos,  a exemplo da Xangai-Pequim, enquanto o Brasil demora 30 anos para  alcançar essa meta. Apenas uma empresa chinesa mobiliza 200 mil  trabalhadores e dois mil engenheiros.
O fato foi lembrado n  última sexta-feira (25) pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO), ao fazer  palestra durante o 2º Encontro do Comitê integrador Ferrovia Binacional,  no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero).
“Em  pouco tempo, Porto Velho será um grande centro de logística, mas nós  não temos recursos; sem investimentos chineses, por muito tempo essa  ferrovia ainda seria um sonho”, alertou o senador.
O trecho de  3,5 mil quilômetros dessa projetada ferrovia ligará o Rio de Janeiro a  Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Acre e Peru. Dentro de  Rondônia, ela terá 760 quilômetros. Ele defende a licitação de 300 em  300 quilômetros, atendendo a diferentes polos de produção de grãos,  calcário, madeira e outros produtos.
Segundo Raupp, autoridades e  empresários chineses avaliaram as obras em US$ 53 bilhões. “Senti que o  interesse é verdadeiro, ao constatar dois fatos: 120 empresários e  autoridades da China estiveram em Brasília, e o embaixador percorreu  cidades de Rondônia e Mato Grosso, de ônibus”, disse.
Os  secretários da Agricultura e de Planejamento, Evandro Padovani e George  Braga; o vice-governador Daniel Pereira; e o superintendente da Suder,  Rubens Nascimento, participaram do encontro.
NOVA ROTA ANIMA EMPRESÁRIOS
Autoridades  estaduais, empresários e representantes comerciais e diplomáticos da  Bolívia, Peru e do Panamá Ferrovia Bioceânica [ou Transcontinental]  comemoraram o início do funcionamento da nova rota de escoamento de  produtos de Rondônia e da Amazônia pela Mediterrânea Shipping do Brasil  Ltda. (MSC), considerada a segunda maior empresa de navegação do mundo.
Desde  o mês passado, as cargas exportadas por Rondônia chegam em menos de 40  dias ao destino. “Não há mais passeio da carga, depois da chegada ao  porto de Manaus (AM)”, disse o empresário Gilberto Maciel, diretor da  empresa SC, operadora da MSC.
A MSC tem 17 serviços semanais  entre Manaus e o porto Cristobal-Balboa, na Cidade do Panamá, movimenta  470 navios, tem mais de dois mil funcionários e atua em Rondônia desde  2010, informou seu presidente, Elber Alves Justo.
“As  mercadorias rondonienses são embarcadas imediatamente, passando pelo  porto de Belém e dali, rumam para o Panamá, originando essa economia de  tempo para chegar aos grandes portos mundiais”, explicou.
“Rondônia  tem matéria-prima e investidores, mas ainda depende do bom  funcionamento da logística; ela é fundamental para dar competitividade  aos nossos produtos”, afirmou o presidente da Federação da Fiero,  Marcelo Thomé.
Thomé reivindicou paradas do trem, além de Porto  Velho e Vilhena, extremos da ferrovia. “O êxito competitivo da nossa  região com o mercado mundial também depende delas, e essa defesa deve  ser feita em bloco”, sugeriu.
UNIÃO DE ESFORÇOS PELA HIDROVIA
“Na  crise é que se cresce. A solução está em nós mesmos, nessa união de  potencialidades regionais [referindo-se aos estados do Acre, Amazonas e  Mato Grosso]”, proclamou o chefe da Casa Civil Emerson Castro.
forum bioceanica chinesa 25-9-15 foto assessoria fiero
Ele  lembrou o funcionamento de câmaras temáticas que já cuidam da área  tributária e da produção agrícola, entretanto, espera que o governo  estadual possa antecipar-se aos gargalos da hidrovia. Mencionou, por  exemplo, a existência de sítios arqueológicos e meio ambiente.
O  custo médio de um quilômetro da hidrovia está avaliado em US$ 34 mil,  enquanto o da ferrovia sobe para US$ 1,4 milhão. Já o custo de uma  rodovia é de US$ 440 mil, estima a Fiero. Outros números fornecidos pela  entidade: a vida útil de uma embarcação pode chegar a 50 anos, enquanto  o trem dura 30 anos, e o caminhão, apenas dez.
Ainda conforme a  Fiero, na hidrovia é de R$ 9 o valor do frete por quilômetro, para o  transporte do volume de mil toneladas; na hidrovia ele custa R$ 16, e na  rodovia, R$ 56 – o mais alto e não recomendado para distâncias  superiores a 300 quilômetros.
“Com toda essa importância, a  sinalização do rio Madeira ainda é artesanal e a dragagem não pode mais  ser adiada; tem que acontecer na hora certa”, apelou o deputado Marcos  Rogério (PDT-RO).
O vice-governador Daniel Pereira propôs  urgência na integração comercial entre Rondônia e Bolívia. “Já estamos a  rodovia até Guajará-Mirim, a nossa parte está pronta, agora temos que  deixar o isolamento”.
Ele informou no encontro que esteve em  Trinidad [Departamento do Beni, Amazônia Boliviana] e constatou a  existência de um mercado consumidor de aproximadamente 4 milhões de  pessoas. “Somando-se aos nosso, que chega a 1,7 milhão, o que estamos  fazendo para deixar o isolamento?”, questionou. Pereira retornará em  outubro à cidade boliviana, para participar de uma feira de negócios.
A hidrovia transportará grãos, pescado, carne bovina, madeira, entre outros produtos, rumo aos portos europeus e asiáticos.
“Nosso  dever de casa vem sendo feito, do alfandegamento do aeroporto  internacional à perspectiva de duplicação da rodovia BR-364”, disse o  titular Superintendência de Desenvolvimento de Rondônia (Suder), Rubens  Nascimento.
Lembrou a possível ampliação dos incentivos fiscais  do estado, que já subiu de dez para 15 anos, e voltou a defender o  asfaltamento de um trecho de 400 quilômetros da BR-319 [Porto  Velho-Manaus]. “Precisamos desse trecho para completar os modais de  transporte na região”, justificou.

Fonte: Rondoniadinamica / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.


Voltar