Cabotagem: os desafios do setor.

13-02-2012 21:03

Num país em que a costa acompanha cerca de 50% do perímetro territorial, a cabotagem deveria desempenhar um papel fundamental na economia. Mas não é assim. A observação é de Mauro Lourenço Dias, professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Desvalorização

E ainda que venha crescendo ao redor de 20% ao ano, explica o professor, a participação da cabotagem na matriz de transporte é incipiente, praticamente limitada ao transporte de produtos agrícolas, especialmente orgânicos.

Números

Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a cabotagem participa em 11,24% na matriz de transporte brasileira. Se se acrescentar a navegação interior, que está reduzida a míseros 1,76%, o modal aquaviário fica com 13% do total do transporte de cargas.

As barreiras

Dias explica que a cabotagem enfrenta alguns obstáculos no Brasil, como a falta de capacidade operacional em terminais aliada a uma burocracia inadmissível para a movimentação de cargas no próprio território nacional; os altos custos com combustível que acabam sendo repassados para os fretes e, obviamente, encarecem os produtos.

Patinho feio

Ao contrário do modal rodoviário, que é favorecido pelo incentivo fiscal destinado ao diesel, o transporte marítimo não recebe nenhuma compensação. Pelo contrário, é onerado pelo pagamento de tributos, como ICMS, PIS e Cofins, enquanto navios de longo curso têm isonomia destes impostos quando se abastecem de combustível.

O que precisa

Para que o modal se torne viável, e alcance a participação de 29% na matriz de transporte em 2025, conforme previsão que consta do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), do Ministério dos Transportes, o Brasil precisa investir muito em infraestrutura, especialmente na construção de eclusas nas principais hidrovias e sua interligação com os portos.

Discriminação

Por fim, o professor da Unicamp aponta que os terminais portuários costumam privilegiar as cargas importadas em detrimento das de cabotagem.

Fonte: Porto Gente / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.

 

Voltar