Brasil busca aporte no exterior por gargalos na infraestrutura.

29-02-2012 21:08

Apesar dos investimentos do Estado em infraestrutura terem aumentado desde a criação do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o volume está longe do que o setor privado considera o mínimo necessário para atender à demanda do Brasil por recursos em logística e escoamento de produção, valores que podem chegar a até R$ 188,6 bilhões. Os investimentos externos seriam a solução, inclusive as empresas de origem estrangeira têm ampliado seus aportes no País, por meio da briga em concessões.

De acordo com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o valor de R$ 188,6 bilhões é duas vezes maior que o projetado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para esses gastos no País: R$ 95,25 bilhões. Ainda segundo a entidade, a cada ano em que o Brasil deixa de investir o necessário em infraestrutura, ele aumenta o custo Brasil, deixa a indústria nacional menos competitiva e cria pressão inflacionária, pois menos investimentos representam gargalos que aumentam custos e pressionam preços.

Para superar o déficit de aportes, especialistas e executivos do setor apontam que a melhor saída para o País é recorrer ao investimento estrangeiro direto, configurando na costura de parcerias com empresas privadas estrangeiras. "Quanto mais tempo o Brasil demorar para resolver seus problemas de infraestrutura, mais caro e difícil será o processo de crescimento da economia", afirma o vice-presidente da Abdib, Nilton Lima.

O exemplo mais recente de aplicação da estratégia de dar à luz aos principais projetos de infraestrutura engavetados em 2011 por meio da iniciativa privada estrangeira é a concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Campinas. Estão na lista também a licitação de exploração do Trem de Alta Velocidade (TAV) e projetos de logística que envolvem armazenagem e escoamento de produtos. No caso dos aeroportos, os três consórcios vencedores do certame eram compostos por grandes empresas estrangeiras. No caso do aeroporto de Guarulhos, o maior do País em número de pousos e decolagens por dia, a empresa sul-africana Airport Company South Africa detém 10% do consórcio Invepar. Em Viracopos, a Egis Airport Operation, da França, também integra o grupo de investidores. Já com relação ao leilão do TAV, adiado diversas vezes no ano passado e com promessa de que aconteça no segundo semestre de 2012, foi constante o interesse de investidores asiáticos no projeto, sobretudo empresa da China e da Coreia do Sul.

Segundo Lima, se o Brasil suprir sua demanda por investimentos em infraestrutura no ritmo ideal, o País teria menos trabalho para se preparar para grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Um estudo feito pela entidade aponta que a demanda de governos estaduais e municipais, principalmente para projetos de mobilidade urbana, seria de apenas R$ 252 milhões.

Estradas - O governo revisa para cima os investimentos que serão necessários nas concessões das rodovias BR 040 e BR 116, afirmou o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. "Estamos aprimorando. Nós queremos assegurar que a 040 esteja totalmente duplicada da parte do entroncamento com a BR 356 (nas proximidades de Belo Horizonte) até Juiz de Fora", exemplificou o ministro. "Inicialmente, na modelagem da concessão, os investimentos aqui eram mais modestos", acrescentou o ministro.

Antes dessa revisão, a expectativa era de que o vencedor do leilão da BR 040 investisse R$ 2,52 bilhões e o da BR 116, R$ 3,4 bilhões. Passos admitiu que a mudança deve atrasar um pouco o cronograma do leilão das rodovias. A previsão anterior era de publicar o edital em abril ou maio, para o leilão ocorrer em junho ou julho.

Nessa licitação, o governo oferecerá aos investidores a concessão de um total de 1.754 km. Na BR 040, a concessão vai de Brasília até Juiz de Fora (MG) e na BR 116, da divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro até a divisa Minas-Bahia.


Financiamento - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira, em Recife (PE), que a União vai entrar com R$ 1 bilhão no financiamento de corredores de transporte na cidade e em municípios vizinhos. O governo estadual e as prefeituras aplicarão igual quantia. A operacionalização da execução financeira já está sendo discutidas pelas equipes técnicas dos respectivos governos.

O anúncio foi feito na cerimônia de entrega de 480 moradias de projeto vinculado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), construídas em parceria da União com a prefeitura de Recife, no Bairro do Pina. As novas habitações fazem parte do Residencial Via Mangue, com 992 apartamentos, nos quais foram investidos R$ 48,39 milhões, de acordo com números da Caixa Econômica Federal.

Fonte: dci.com.br - Adaptado pelo Site da Logística.
 

 

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