Aliança estima alta de 10% da cabotagem.

16-04-2015 14:45

Apesar da crise econômica, a Aliança Navegação e Logística tem uma expectativa positiva para o ano quanto à cabotagem. O diretor-superintendente do grupo, Julian Thomas, projeta que esse tipo de transporte no País crescerá cerca de 10% em 2015 em relação ao ano passado. Em 2014, a cabotagem, apenas pela costa brasileira (sem contar o que os armadores chamam de grande cabotagem que envolve Uruguai e Argentina), alcançou um resultado de aproximadamente 550 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). A Aliança foi responsável por 50% desse market share.
A grande cabotagem contribuiu com mais 350 mil TEUs e sobre o desempenho para esse ano, nesse trecho, Thomas adianta que dependerá do fôlego da economia argentina. No Brasil, entre as diversas cargas movimentadas por esse modal estão produtos químicos, eletroeletrônicos e sapatos. O executivo sustenta que qualquer artigo pode usufruir da cabotagem, mas as cargas ideais são aquelas que têm origem a cerca de 120 quilômetros de um porto e um destino a mais de 1 mil quilômetros (distâncias curtas favorecem o transporte por caminhões).
Uma prova da aposta da Aliança no setor foi dada na última terça-feira(14), com o batismo do porta-contêineres "Bartolomeu Dias", realizado no Terminal de Contêineres (Tecon), localizado dentro do porto gaúcho. O navio, que já estava sendo utilizado pela empresa desde o segundo semestre do ano passado, tem 255 metros de comprimento total e 37,3 metros de largura. A embarcação tem capacidade para transportar até 4.848 TEUs.
O navio faz parte de um pacote de investimentos da empresa. Entre 2013 e 2014, a Aliança reestruturou a frota de cabotagem com um aporte de R$ 700 milhões na aquisição de seis porta-contêineres. Hoje, a companhia possui 13 embarcações em operação, com atendimento em 15 portos, de Buenos Aires até Manaus, em um total de 104 escalas mensais. Em junho, um navio "gêmeo" ao Bartolomeu Dias será batizado em Santos.
Thomas lembra que a empresa começou o trabalho de cabotagem há cerca de 15 anos, com um navio com capacidade para 800 TEUs. De acordo com o executivo, o desafio agora é atrair clientes de pequeno e médio porte para o serviço. Um dos motivos que deixa o dirigente otimista é a implantação da lei dos motoristas, que estipulou regras mais rígidas quanto à jornada de trabalho desses profissionais. Esse cenário deverá aumentar a competitividade da cabotagem em relação ao modal rodoviário.
O superintendente do porto do Rio Grande, Janir Branco, vê oportunidades dentro do segmento de arroz para aproveitar a cabotagem a partir do Estado. Branco prevê que, mesmo com a turbulência econômica, o porto do Rio Grande deverá ter uma movimentação semelhante a do ano passado (cerca de 34 milhões de toneladas), possivelmente até superando o patamar. A projeção é baseada na expectativa positiva quanto à safra de soja. Se no modo a granel, como é transportado esse grão, a situação é mais tranquila, nos contêineres, que normalmente levam produtos de maior valor agregado, há preocupação.
O diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti, admite que a crise tende a afetar a movimentação de contêineres. "A cabotagem, talvez, será a salvação do ano", torce o executivo. Apesar desse impacto, o Tecon mantém o seu plano de investir cerca de US$ 40 milhões em sua infraestrutura, especialmente, na compra de novos equipamentos de cais e pátio. Entre as aquisições estarão três guindastes STS (Ship to Shore Container Crane) e oito RTGs (rubber tyre gantry crane - guindaste de pórtico sobre pneus). Com a encomenda feita neste ano, a entrega acontecerá em 2016.
Superintendência busca regularização de áreas portuárias ocupadas por empreendedores
Uma das maiores preocupações no porto do Rio Grande são os contratos de ocupação de áreas que estariam irregulares. O superintendente do porto, Janir Branco, revela que esteve há cerca de 10 dias na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) conversando com o diretor-geral da entidade, Mário Povia, sobre o tema. "É um assunto que requer energia e me parece muito delicado", avalia o superintendente.
A questão afeta espaços ocupados por empreendedores, como os estaleiros Rio Grande, QGI e EBR, e por companhias como Braskem, Petrobras, GM e Amoniasul. Em resumo, são acordos vencidos, nos quais a Antaq contesta a forma de contratação, pois entende que precisa haver onerosidade (para os que não pagam atualmente, como é o caso dos estaleiros) e, nos que desembolsam alguma quantia, os contratos precisariam ser revistos.
Branco afirma que o quadro técnico da superintendência tem dialogado com a Antaq e conseguiu um prazo até o final de junho para buscar uma solução quanto à regularização. O dirigente enfatiza que o interesse da superintendência e do governo estadual é renovar e manter as atividades das empresas que estão operando hoje, porque a percepção é que esses grupos geram emprego e renda. "Estamos pressionados pela Antaq, que nos fiscaliza e compreende que a redação dos contratos vigentes é equivocada", destaca.
Branco acrescenta que, sobre o contrato do estaleiro EBR, que está instalado em São José do Norte (mas dentro da área do porto organizado do Rio Grande), existe uma resolução publicada pela Antaq que decreta a nulidade desse acordo. "O contrato está descoberto e pela informação da Antaq, em breve outros terão declarada a nulidade, pois a agência discorda frontalmente da doação das áreas", comenta. Segundo a assessoria de imprensa do estaleiro EBR, a empresa compreende que não há nenhuma nulidade ou irregularidade no contrato celebrado em relação ao seu complexo.
O superintendente propõe que a resposta seja um meio termo, com a onerosidade, com os estaleiros pagando algum valor por ocupar um terreno nobre do porto, contudo é preciso continuar as operações. "A Antaq crê que, se não houver a regularização, logo, tem que haver a interdição da operação, e eu discordo, porque isso prejudicaria a economia do Estado como um todo", sustenta Branco. O dirigente sugere uma repactuação dos contratos, após uma revisão.
O especialista em regulação e transporte aquaviário da Antaq José Ademir Menezes Allama confirma que a agência está trabalhando na regularização das áreas portuárias brasileiras. Allama recorda que, com a nova lei dos portos, a Secretaria de Portos identificou uma série de áreas, em vários portos nacionais, que precisam ter a situação normalizada. Esse processo encontra-se agora no Tribunal de Contas da União, esperando pela análise prévia para licitação.
Allama esclarece que o porto do Rio Grande está incluído no quarto bloco de licitações programadas pela SEP e Antaq. O primeiro bloco diz respeito a Manaus, porém ainda não foi avaliado pelo TCU. O integrante da Antaq adianta que são mais de 10 áreas que hoje se encontram irregulares no porto do Rio Grande. Allama diz que foi definida a interdição desses espaços, mas essa decisão acabou suspensa. Porém, mesmo que não parem as atividades nessas áreas, não está descartada a possibilidade de que sejam relicitadas.

Fonte: Jornal do Commercio / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.


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